MERCADOS INTERNACIONAIS

Banco Mundial prevê subida de 23% nos preços das matérias-primas em 2026

29 Oct. 2026 Valor Económico Mundo

Conflitos no Médio Oriente e no Mar Negro pressionam os mercados globais, enquanto um fenómeno El Niño extremo poderá agravar os preços dos alimentos e desencadear uma nova crise alimentar.

Banco Mundial prevê subida de 23% nos preços das matérias-primas em 2026
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Os preços globais das matérias-primas deverão aumentar 23% em 2026, impulsionados pela subida dos custos da energia e pelas perturbações nas cadeias de abastecimento provocadas pelos conflitos internacionais, segundo as previsões do relatório Perspectivas dos Mercados de Commodities divulgadas, esta quarta-feira, pelo Banco Mundial.

O documento que aponta para uma subida dos preços do petróleo, do gás natural, dos alimentos e dos metais faz um alerta para o seu agravamento caso persistam às tensões no Médio oriente, como os danos causados à infraestruturas petrolíferas russa.

A pressão sobre os preços ocorre apesar da previsão de uma redução de 2,5% na procura mundial de petróleo este ano, a terceira maior queda registada, depois das verificadas durante a crise da Covid-19, em 2020, e a crise petrolífera de 1980.

De acordo com o Banco Mundial, no segmento alimentar, os preços das matérias-primas deverão aumentar pouco mais de 10% em 2026, devido, sobretudo, às perturbações no transporte de cereais no Mar Negro, associadas às hostilidades entre a Rússia e a Ucrânia. No entanto, para 2027, o banco prevê uma nova subida de 7%, elevando o aumento acumulado para quase 18%.

A instituição adverte ainda  que a combinação de um fenómeno El Niño de intensidade recorde, novas interrupções no transporte de cereais, agravamento do conflito no Médio Oriente e danos persistentes na infraestrutura petrolífera russa poderá elevar os preços dos alimentos em 12% acima do cenário previsto.

Segundo o relatório, um cenário desta natureza poderá desencadear uma crise alimentar semelhante à registada no início da década de 2010, quando mais de 40 milhões de pessoas foram empurradas para a extrema pobreza.