EM HONG KONG

EM HONG KONG De 98 mil milhões de dólares, Shein contenta-se com 27 mil milhões em estreia na Bolsa

26 Aug. 2026 Valor Económico Gestão

NEGÓCIO. Após tentativas frustradas de cotar-se em Nova Iorque e Londres devido a entraves políticos e regulatórios, retalhista chinesa optou pela praça financeira asiática. Entrada em bolsa ocorre sob forte escrutínio devido ao impacto ambiental da fast fashion, às condições de trabalho

EM HONG KONG De 98 mil milhões de dólares, Shein contenta-se com 27 mil milhões em estreia na Bolsa
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O aguardado salto da Shein para o mercado accionista tem como destino a bolsa de Hong Kong, com o dia 1 de Setembro apontado como a data provisória para a sua estreia. A gigante da ‘fast fashion’ terá adiado ligeiramente o lançamento, inicialmente previsto para 28 de Agosto. Contudo, estes prazos não foram confirmados oficialmente pela empresa, que mantém os detalhes da oferta pública inicial (IPO) sob sigilo. A retalhista pretende oferecer 280 milhões de acções de classe B, assegurando que a maioria dos direitos de voto permaneça nas mãos dos fundadores. Com cada título avaliado entre 47,6 e 49,5 dólares de Hong Kong, prevê-se que a operação possa render entre 2 e 3 mil milhões de dólares.

A escolha de Hong Kong surge após anos de percalços nas praças financeiras ocidentais. Fundada em Nanquim em 2012 e com a sede transferida para Singapura em 2022 para distanciar a marca das suas raízes chinesas, a Shein tentou incialmente cotar-se em Nova Iorque e, mais tarde, em Londres. Contudo, a oposição de políticos e reguladores, preocupados com as práticas da sua cadeia de fornecedores, inviabilizou esses projectos, convertendo Hong Kong numa solução intermediária por manter maior proximidade com as autoridades de Pequim.

 

LONGE DOS QUASE 100 MIL MILHÕES USD

A estreia em bolsa acontece num momento em que a avaliação da empresa ronda os 27 a 30 mil milhões de dólares, um valor consideravelmente distante dos 98,2 mil milhões de dólares atingidos na captação de 2022, no auge da expansão do comércio electrónico promovido pela pandemia. Apesar da queda, face aos anos anteriores, esta valorização continua a posicionar a marca chinesa como uma das maiores cotadas do sector de vestuário a nível mundial, apenas atrás da Nike, da Adidas e da H&M. Além da desvalorização comercial, a retalhista enfrenta sérios desafios regulatórios e de reputação. O fim da isenção de tarifas de importação para remessas de baixo valor nos Estados Unidos e as restrições impostas pela União Europeia sobre plataformas como a Shein, a Temu e o AliExpress pressionam directamente o seu modelo de vendas. Em paralelo, a empresa continua sob intenso escrutínio devido ao impacto ambiental do seu modelo de produção massiva na província de Cantão, às condições de trabalho na sua cadeia de abastecimento e a contestações sobre a conformidade dos seus artigos.