Petróleo recua com expectativa de trégua entre EUA e Irão
Brent cai 1,3% para 105,26 dólares, enquanto mercados avaliam possível reabertura do Estreito de Ormuz e os riscos de interrupção da oferta no Médio Oriente.
Os preços do petróleo recuaram mais de 1% esta sexta-feira, pressionados pelas expectativas de uma possível trégua entre os Estados Unidos e o Irão, que se sobrepuseram aos receios de perturbações no abastecimento decorrentes do aumento dos ataques dos combatentes houthis contra a Arábia Saudita, com o Brent a cair 1,3%, para 105,26 dólares por barril, e o West Texas Intermediate (WTI) a recuar 1,9%, para 92,78 dólares.
As negociações entre representantes dos Estados Unidos e do Irão, em Nova Iorque, procuram estabelecer um processo gradual para pôr fim ao conflito, que poderá incluir a reabertura do Estreito de Ormuz por Teerão e o levantamento do bloqueio económico imposto por Washington ao Irão, segundo fontes próximas das conversações.
O presidente iraniano, Masoud Pezeshkian, afirmou na quinta-feira que cabe aos Estados Unidos decidir quando terminará a guerra. Para Erik Meyersson, da SEB Research, nenhum dos dois países tem actualmente interesse numa intensificação do conflito que possa tornar-se menos controlável.
Desde o início do conflito, no final de Fevereiro, cerca de um quinto das remessas mundiais de petróleo e gás foi afectado. Apesar disso, as perspectivas de avanços diplomáticos têm limitado a reacção dos preços aos recentes ataques no Médio Oriente.
Na quinta-feira, os contratos de referência chegaram a subir até 5%, atingindo o nível mais elevado em uma semana.
A diferença entre os preços do Brent e do WTI também aumentou, atingindo 12,83 dólares por barril, o maior diferencial desde Maio. A divergência está relacionada, em parte, com receios de que os Estados Unidos possam restringir as exportações de diesel, deixando uma maior oferta no mercado doméstico.
A possibilidade de retenção da produção de diesel poderá levar as refinarias norte-americanas a processar menos petróleo bruto, aumentando o desconto do WTI face ao Brent.
O preço do diesel nos Estados Unidos atingiu esta semana um recorde de 6,528 dólares por galão, aumentando a pressão sobre o mercado interno. A manutenção de um desconto elevado do petróleo norte-americano poderá aliviar, no curto prazo, os preços internos dos combustíveis, mas também poderá sinalizar pressões futuras sobre os preços da gasolina e, posteriormente, do próprio diesel.






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