TRANSPARÊNCIA E CUSTOS BAIXOS

Windrose desafia Tesla no mercado de camiões eléctrico

01 Apr. 2026 Valor Económico Gestão

ESTRATÉGIA. Empresa começou a vender camiões eléctricos de grande porte fabricados na China que se parecem muito com o Tesla Semi. Mesmo com taxas de importação de 70%, o CEO afirma que a empresa vai lucrar com cada unidade vendida nos EUA

Windrose desafia  Tesla no mercado de  camiões eléctrico
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Enquanto a Tesla de Elon Musk mantém o preço do seu Semi envolto em secretismo, a startup sino-europeia Windrose Tech prepara-se para invadir o mercado norte-americano com uma estratégia oposta: transparência total e uma proposta de valor agressiva. Liderada por Wen Han, de 35 anos, a empresa já iniciou as vendas das primeiras unidades na Califórnia e no Texas, posicionando-se como uma alternativa directa e economicamente viável ao gigante de Austin. O modelo R700 da Windrose, com uma potência de 1.400 cavalos, chega ao mercado com um preço de 300.000 dólares nos EUA (e 250.000 euros na Europa). Apesar de o design ser assumidamente inspirado no Tesla Semi por questões de aerodinâmica, a Windrose diferencia-se na execução. Autonomia: actualmente nos 640 km, com uma nova versão (E960) prevista para 2027 que promete atingir os 965 km por carga; Tecnologia de Baterias: utiliza células de lítio-ferro (LFP), que, embora menos densas que as de ião-lítio da Tesla, oferecem maior durabilidade e segurança contra o sobreaquecimento; Custo Operacional: com o preço do gasóleo a disparar 40% devido a tensões geopolíticas, Han defende que a transição para o elétrico deixou de ser uma questão ambiental para se tornar uma decisão puramente económica.

 

Estratégia global e expansão industrial

Recentemente, a Windrose transferiu a sua sede de Hefei (China) para Antuérpia (Bélgica), mas mantém uma base de fornecimento chinesa que lhe confere uma vantagem competitiva de custos. O plano de expansão é ambicioso e inclui a meta de produção de 2.000 unidades em 2026, escalando para 10.000 em 2027 e o início das operações nos EUA através de unidades importadas e parcerias com a distribuidora Xos, com o objectivo de construir uma fábrica própria (possivelmente no Arizona) para mitigar tarifas de importação. Por fim pretende penetrar em vários mercados com foco imediato nos EUA, Europa, América Latina (com parcerias já estabelecidas no Chile) e Ásia. Apesar do cenário de incerteza regulatória nos EUA sob a administração Trump, Wen Han permanece optimista. A empresa, que já captou cerca de 400 milhões de dólares, foca-se na premissa de que os gestores de frotas priorizam a redução de custos de combustível, o maior peso no balanço operacional. Num mercado onde a Tesla tem falhado sucessivamente os prazos de produção em série e onde fabricantes tradicionais como Volvo e Daimler apresentam preços superiores, a Windrose surge como um concorrente ágil, pronto a capitalizar sobre a infraestrutura de carregamento de alta potência que está a ser desenvolvida globalmente.