Partidos da oposição na RDC boicotam o diálogo político de Tshisekedi
Vários partidos da oposição na República Democrática do Congo (RDC) boicotaram, esta segunda-feira, as consultas políticas em curso iniciadas pelo Presidente Félix Tshisekedi, com o objectivo de formar um governo de unidade nacional.

Em declarações aos meios de comunicação locais, a oposição declarara que a abordagem do Presidente não irá resolver a actual crise de segurança, mas fortalecerá “um governo em crise de legitimidade”, segundo a APA News.
Os membros da oposição afirmam que não vão apoiar o que descrevem como “uma farsa política e uma fuga ao poder”.
Em vez disso, apoiam a iniciativa de um diálogo inclusivo, tal como recomendado pelos bispos da Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) e pelos pastores da Igreja de Cristo no Congo (ECC), para oferecer uma “solução duradoura” ao conflito no Leste da República Democrática do Congo.
O partido político Ensemble pour la République, liderado por Moise Katumbi, está entre os que se recusam a participar em qualquer outro processo de diálogo paralelo à iniciativa dos bispos.
Estas autoridades eclesiásticas conseguiram envolver-se com todas as partes interessadas, incluindo a oposição armada e desarmada, a oposição institucional e extra-institucional, e a sua abordagem recebeu também o apoio dos chefes de Estado da sub-região e de alguns parceiros ocidentais”, afirmou a formação partidária.
“Devemos enfrentar situações políticas que exigem, acima de tudo, unirmo-nos antes de procurar um governo de unidade nacional”, explicou Hervé Diakese, porta-voz do Ensemble pour la République.
Partilham a mesma posição os partidos ECIDE, liderado por Martin Fayulu, LGD (Matata Ponyo Mapon) e o Envol (Delly Sessanga). Todos esses partidos pedem a Félix Tshisekedi que “pare com as manobras políticas e coloque os interesses do povo acima das suas ambições”.
A formação partidária FCC, ligada à família política do ex-presidente Joseph Kabila, também questiona a necessidade desta nova iniciativa, dado que várias outras já estão em curso.
A FCC recusa, por isso, participar “num serviço que, evidentemente, procura mais legitimar e defender um governo, em vez de servir a causa da paz duradoura e os interesses superiores do povo congolês na sua diversidade”, como afirma na sua declaração publicada na segunda-feira.
Desde que iniciaram uma grande escalada dos seus combates de uma década com as forças congolesas em Janeiro, os rebeldes do M23 capturaram as cidades de Goma e Bukavu e várias cidades no Leste do Congo, gerando receios de uma guerra regional envolvendo vizinhos, cujos militares também se encontram no local. Os esforços para alcançar um cessar-fogo falharam na semana passada depois de os rebeldes se terem retirado das negociações facilitadas por Angola, condenando as sanções da União Europeia contra os seus líderes.
PORQUE FALHAM OS NEGÓCIOS