CONFLITO POLÍTICO

Partidos da oposição na RDC boicotam o diálogo político de Tshisekedi

04 Apr. 2025 Valor Económico Mundo

Vários partidos da oposição na República Democrática do Congo (RDC) boicotaram, esta segunda-feira, as consultas políticas em curso iniciadas pelo Presidente Félix Tshisekedi, com o objectivo de formar um governo de unidade nacional.

Partidos da oposição na RDC boicotam o diálogo político de Tshisekedi

Em declarações aos meios de comunicação locais, a oposição declarara que a abordagem do Presidente não irá resolver a actual crise de segurança, mas fortalecerá “um governo em crise de legitimidade”, segundo a APA News.

Os membros da oposição afirmam que não vão apoiar o que descrevem como “uma farsa política e uma fuga ao poder”.

Em vez disso, apoiam a iniciativa de um diálogo inclusivo, tal como recomendado pelos bispos da Conferência Episcopal Nacional do Congo (CENCO) e pelos pastores da Igreja de Cristo no Congo (ECC), para oferecer uma “solução duradoura” ao conflito no Leste da República Democrática do Congo.

O partido político Ensemble pour la République, liderado por Moise Katumbi, está entre os que se recusam a participar em qualquer outro processo de diálogo paralelo à iniciativa dos bispos. 

Estas autoridades eclesiásticas conseguiram envolver-se com todas as partes interessadas, incluindo a oposição armada e desarmada, a oposição institucional e extra-institucional, e a sua abordagem recebeu também o apoio dos chefes de Estado da sub-região e de alguns parceiros ocidentais”, afirmou a formação partidária.

“Devemos enfrentar situações políticas que exigem, acima de tudo, unirmo-nos antes de procurar um governo de unidade nacional”, explicou Hervé Diakese, porta-voz do Ensemble pour la République.

Partilham a mesma posição os partidos ECIDE, liderado por Martin Fayulu, LGD (Matata Ponyo Mapon) e o Envol (Delly Sessanga). Todos esses partidos pedem a Félix Tshisekedi que “pare com as manobras políticas e coloque os interesses do povo acima das suas ambições”.

A formação partidária FCC, ligada à família política do ex-presidente Joseph Kabila, também questiona a necessidade desta nova iniciativa, dado que várias outras já estão em curso.

A FCC recusa, por isso, participar “num serviço que, evidentemente, procura mais legitimar e defender um governo, em vez de servir a causa da paz duradoura e os interesses superiores do povo congolês na sua diversidade”, como afirma na sua declaração publicada na segunda-feira.

Desde que iniciaram uma grande escalada dos seus combates de uma década com as forças congolesas em Janeiro, os rebeldes do M23 capturaram as cidades de Goma e Bukavu e várias cidades no Leste do Congo, gerando receios de uma guerra regional envolvendo vizinhos, cujos militares também se encontram no local. Os esforços para alcançar um cessar-fogo falharam na semana passada depois de os rebeldes se terem retirado das negociações facilitadas por Angola, condenando as sanções da União Europeia contra os seus líderes.