César Silveira

César Silveira

Editor Executivo do Valor Económico

CONTAS PÚBLICAS. Governo gasta, nos primeiros seis meses do ano, cerca de 97,6% do valor anual orçamentado para despesas com bens e serviços. No mesmo período, despesa cresceu 32,4%, enquanto as receitas fiscais avançaram apenas 1,5%, levando o défice fiscal para cerca de 4 biliões de kwanzas.

É urgente desnormalizar as suspeitas de corrupção no acesso ao financiamento. Caso contrário, não faz sentido manter o discurso de que se quer financiar a produção, apoiar o empresariado e diversificar a economia.

EXECUÇÃO ORÇAMENTAL. Receita bruta fixou-se em cerca de 15,9 mil milhões de dólares face os 12 mil milhões de dólares do mesmo período de 2025. Números mostram que, por cada 100 dólares gerados pelas exportações petrolíferas, o Estado embolsou 33,4 dólares contra os 40,8 dólares do período homólogo.

A banca está entre os sectores que mais cresceram nos últimos anos e é também, segundo as autoridades, um dos que melhor tem respondido às exigências do combate ao branqueamento de capitais. Apesar disso, consegue brindar-nos com números que contam histórias surreais: 9,270 mil milhões de kwanzas pagos, 94% do valor do contrato desembolsado, apenas 20% da obra executada e, 14 anos depois, o Banco de Desenvolvimento de Angola (BDA) reconhece que o dinheiro está, na prática, perdido.

LITÍGIO. Apesar de o Tribunal da Relação de Lisboa ter afastado as alegações de fraude e abuso de direito no financiamento da compra da Efacec, a Empresa Nacional de Distribuição de Electricidade (ENDE) continua à espera de uma decisão da Justiça angolana sobre a acção movida pelo Novo Banco, Caixa Geral de Depósitos e Banco Comercial Português, que reclamam cerca de 27,7 milhões de euros ao abrigo das garantias prestadas pela empresa pública na operação.