César Silveira

César Silveira

Editor Executivo do Valor Económico
03 Jun. 2026

FALTA ABRIR O ESTADO

Durante anos, um dos argumentos mais utilizados para justificar a reduzida diversificação das exportações angolanas foi a dificuldade de acesso aos mercados internacionais. A realidade, porém, está a tornar essa explicação cada vez menos convincente.

COOPERAÇÃO. Angola revela dificuldades em transformar a abertura do mercado chinês às exportações africanas em oportunidades concretas. Contactos diplomáticos sem resposta impedem assinatura de protocolos fitossanitários. Cenário evidencia fragilidades estruturais já antes expostas no aproveitamento de regimes preferenciais como o AGOA.

Num contexto em que as remessas africanas crescem de forma estrutural e se consolidam como uma das fontes mais estáveis de financiamento externo, Angola permanece no último lugar em África na captação destes fluxos, evidenciando a ausência de uma estratégia consistente de mobilização da diáspora.

ANÁLISE. Angola capta apenas 83 dólares per capita em remessas da diáspora, o valor mais baixo entre os 48 países avaliados pelo African Economic Outlook 2026. Contraste é expressivo, face a economias como a Nigéria, que ultrapassa os 10 mil dólares per capita. Banco Africano de Desenvolvimento alerta que o continente precisa de reforçar os mecanismos institucionais e financeiros para melhor aproveitar as receitas enviadas pelos emigrantes.