O ano passado

Importações de matéria-prima para o cimento sobem 216% e mostram dependência de Angola face à Ásia

31 Mar. 2026 Mercado & Finanças

COMÉRCIO. Compra do produto triplicou no ano passado. Custos com a logística e oscilação do mercado internacional não ajudam na redução do preço final. Paquistão e Indonésia lideram preferência. 
  

Importações de matéria-prima para o cimento sobem 216% e mostram dependência de Angola face à Ásia

Angola importou o ano passado mais 216%  de clínquer, principal matéria-prima para o fabrico do cimento, em relação a 2024. Contudo, os custos com a logística não permitiram uma redução do preço do saco de cimento. 
De acordo com dados da Agência Reguladora de Certificação de Carga Logística de Angola (ARCCLA) consultados pelo Valor Económico, durante todo o ano passado, foram importadas 186.934 toneladas de clínquer. Em 2024, a importação foi mais residual e ficou-se pelas 59.151 toneladas. 
A Ásia foi o principal mercado de Angola. Mais de 85% do clínquer é proveniente dos mercados asiáticos. Paquistão,  Indonésia e o Vietname foram os três principais mercados e responsáveis por 158.575 toneladas. A elevada concentração de Angola nos mercados asiáticos expõe o país à “volatilidade do câmbio internacional e aos custos de frete marítimo de longo curso”. “A escassez de fontes alternativas de abastecimento obriga Angola a importar de mercados distantes, onde qualquer flutuação logística na Ásia impacta directamente o custo de reposição do clínquer e, por conseguinte, inflaciona o preço do saco de cimento localmente”. 
A compra foi quase toda processada a granel, o que indica que a importação é quase toda feita por grandes ‘players’ industriais com terminais portuários dedicados.  
Angola tem registado nos últimos meses uma subida acentuada no preço do saco de cimento. O saco de 50 quilos atingiu valores  entre os oito mil kwanzas e dez mil no mercado informal.  
A escalada deve-se principalmente à quebra de produção nacional, especulação comercial e paragem temporária da cimenteira CIF. Recentemente o Governo voltou a permitir a importação de cimento com o objectivo de conter os preços. Essa abertura acontece 12 anos depois. A importação estará a cargo do grupo Kileba.