Apenas um terço dos agricultores recebe apoio e fábrica de Benguela continua sem matéria-prima
Quatro meses depois da inauguração da fábrica de processamento de tomate do Dombe Grande, na província de Benguela, apenas 27 dos 88 agricultores seleccionados tiveram acesso ao financiamento anunciado pelo Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA).
Esta situação levanta questões sobre a execução do programa de crédito, inicialmente apresentado como fundamental para o sucesso do projecto.
Quando a fábrica de concentrado de tomate foi inaugurada, em Fevereiro deste ano, o discurso oficial apontava para um modelo integrado de produção agrícola e industrial capaz de garantir o abastecimento regular da unidade e impulsionar a economia local.
Em declarações ao Jornal Valor Económico, o presidente da Cooperativa do Dombe Grande, Rosa Flor, explicou que, dos 88 agricultores, apenas 27 foram beneficiados pelo financiamento e que estes se encontram actualmente na segunda fase do processo produtivo, que consiste na transplantação das mudas dos viveiros para os campos de cultivo. Segundo a responsável, esta etapa deverá prolongar-se por cerca de dois meses, período necessário para que a fábrica comece a receber a matéria-prima
O líder associativo referiu que os restantes 61 agricultores poderão ainda ser integrados no programa de financiamento, uma vez que ficaram de fora da primeira fase devido a dificuldades relacionadas com a regularização da documentação exigida.
Durante a cerimónia de inauguração, a então presidente do conselho de administração do FADA, Felisberta Maria da Costa, garantiu que tinham sido criadas condições para facilitar o acesso dos camponeses ao financiamento, incluindo a flexibilização de alguns requisitos habitualmente exigidos aos produtores rurais.
Na ocasião, foi igualmente assegurado que o programa estava preparado para enfrentar constrangimentos associados a calamidades naturais e pragas, factores frequentemente apontados como obstáculos à produção agrícola na região do Dombe Grande.
Com apenas 27 agricultores financiados, torna-se difícil alcançar as metas previstas para uma unidade concebida para consumir mais de 120 toneladas de tomate por dia, onde cada produtor dos 88 previstos, deveria fornecer cerca de 300 toneladas por campanha, números considerados essenciais para a sustentabilidade do projecto.
Entretanto, além dos desafios relacionados com a produção agrícola, decorrem também trabalhos para garantir o abastecimento energético da unidade industrial. Segundo avançou o presidente da cooperativa ao Jornal Valor Económico, está em curso o processo de ligação da fábrica à rede pública de distribuição de energia eléctrica, uma condição considerada fundamental para o arranque pleno das operações.
Enquanto aguarda pelo arranque da produção, a fábrica mantém os seus trabalhadores ocupados em actividades de manutenção dos equipamentos, numa tentativa de preservar a operacionalidade da unidade até à chegada da matéria-prima necessária para o início efectivo das operações.







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