Ministro apela ao fim do consumo de "carros sucata" para incentivar indústria automóvel local
O ministro da Indústria e Comércio, Rui Minguéns, defendeu a limitação da importação de sucata para atrair investimentos na montagem de veículos e na fabricação local de componentes em Angola.
Durante uma das suas intervenções,, esta quarta-feira, na 23.ª edição do Café CIPRA, em Luanda, o governante alertou que a continuidade da importação de sucata pode desincentivar o investimento na indústria automóvel. “Se nós continuarmos a ter importação da sucata do resto do mundo, ninguém vai se interessar em vir montar fábricas, dar os tais empregos e criar cadeias de valor na produção da indústria automóvel que nós tanto reclamamos”, afirmou.
Rui Minguéns defendeu a instalação de fábricas de montagem de viaturas em Angola e a criação gradual de capacidade para produzir componentes localmente. “Nós precisamos de ter fábrica no nosso país a montarem viaturas”, disse, acrescentando que, num futuro “não muito longínquo”, o país deverá fabricar uma boa parte dos componentes utilizados pelas indústrias automóveis, incluindo “as baterias, os pneus e os estofos”.
Segundo o ministro, as decisões do Governo devem garantir a criação de “emprego digno, emprego estável” e contribuir para uma economia resiliente, que não viva “do desperdício das outras economias”.
Rui Minguéns afirmou que a preocupação do Governo não está relacionada com a nacionalidade dos operadores. “O nosso país é um país aberto, harmonioso, amigo do investimento e, portanto, nós não temos a priori nenhum preconceito contra qualquer investidor, e muito menos aqueles que nós consideramos que são os nossos irmãos africanos”, afirmou, entretanto, defendendo, também, uma maior participação de angolanos em toda a cadeia comercial, incluindo pequenas lojas e unidades comerciais.
No entanto, o governante chamou à atenção sobre a necessidade de o país precisar de distribuidores de viaturas licenciados, aos quais deve ser exigido que tragam os sobressalentes. A medida, segundo explicou, tem sido igualmente exigida pelo Ministério dos Transportes e pretende criar condições para que a comercialização de peças, muitas vezes falsificadas ou sem garantia suficiente, seja realizada de forma a dar maior segurança aos “guerreiros da estrada”, nomeadamente aos taxistas, considerados essenciais para a mobilidade urbana.







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