81ª ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

Guterres exige assento permanente para África no Conselho de Segurança

23 Sep. 2026 Valor Económico Mundo

Secretário-geral da ONU defende reforma do órgão e alerta para um sistema internacional desfasado das actuais realidades económicas e geopolíticas.

Guterres exige assento permanente para África no Conselho de Segurança
Michael M. Santiago/Getty Images/AFP

O secretário-geral das Nações Unidas, António Guterres, defendeu esta terça-feira, 22 de Setembro, uma reforma do Conselho de Segurança que assegure representação permanente a África, considerando que a actual estrutura já não reflecte as realidades de poder do século XXI.

No seu último discurso de abertura da Assembleia Geral da ONU, Guterres alertou para o agravamento das divisões geopolíticas, das desigualdades e dos conflitos, num cenário que, segundo afirmou, expõe as limitações dos actuais mecanismos de governação internacional.

“África precisa de estar à mesa, não no menu”, afirmou o secretário-geral, defendendo que o continente não pode continuar a esperar indefinidamente pelo que considera ser o seu lugar no Conselho de Segurança.

A posição ganha particular relevância económica num contexto de crescente disputa por influência, recursos estratégicos, tecnologia e financiamento internacional. Para Guterres, as instituições multilaterais continuam a reflectir estruturas criadas no período posterior à Segunda Guerra Mundial, apesar da alteração do peso económico e político de diferentes regiões.

Actualmente, o Conselho de Segurança é composto por 15 membros, dos quais cinco têm assento permanente — China, Estados Unidos, França, Reino Unido e Rússia — e dez são eleitos por mandatos de dois anos. África não dispõe de qualquer assento permanente.

Além da reforma institucional, Guterres defendeu maior cooperação internacional para enfrentar os riscos associados à inteligência artificial, as alterações climáticas e os conflitos armados. O secretário-geral apelou ainda à criação de mecanismos internacionais de governação da IA, com supervisão independente.

O mandato de Guterres termina a 31 de Dezembro, tornando este o seu último discurso de abertura da Assembleia Geral enquanto secretário-geral da ONU.