FADA lança concurso de 70,6 milhões de Kwanzas para auditoria externa
O Fundo de Apoio ao Desenvolvimento Agrário (FADA) vai investir 70,6 milhões de kwanzas na contratação de serviços de auditoria externa para a verificação das suas demonstrações financeiras relativas ao exercício económico de 2026.
Segundo o despacho de abertura, a que o Valor Económico teve acesso, a iniciativa pretende reforçar o controlo interno, assegurar a conformidade legal e garantir a transparência na gestão dos dinheiros públicos afectos ao sector agrícola.
Para concretizar a contratação, o FADA lançou um procedimento de concurso limitado por convite. Entre as empresas de auditoria e consultoria especializadas convidadas a apresentar propostas figura a KPMG Angola, terminando o prazo de submissão no dia de hoje. A KPMG tem sido a empresa que nos últimos anos tem sido escolhido para auditar a conta da instituição.
A escolha da entidade vencedora será determinada pelo critério da Proposta Economicamente Mais Vantajosa (PEMV), com a seguinte ponderação. Componente Técnica (60%): Avalia a experiência em auditorias no sector financeiro não bancário, a certificação da equipa técnica e o plano de trabalho apresentado. Componente Financeira (40%): Premia a transparência de custos e a inexistência de taxas adicionais.
O contrato terá a duração de um ano, com possibilidade de renovação, estando fixado um prazo máximo de 180 dias para a execução total dos serviços.
Reservas nas contas e "desaparecimento" de fundos
A abertura deste concurso surge num contexto de forte escrutínio, após as contas do FADA terem sido aprovadas com reservas nos últimos exercícios económicos.
Em causa estão as conclusões das auditorias conduzidas pela própria KPMG relativamente aos anos de 2023, 2024 e 2025. Os relatórios revelam que a instituição perdeu o rasto a mais de 10 mil milhões de kwanzas (cerca de 10,9 milhões de dólares) concedidos no âmbito do programa FertilizAngola, uma irregularidade também trazida a público por investigações do Valor Económico.
O programa FertilizAngola foi criado para apoiar a campanha agrícola de 2021/2022, na sequência de uma autorização presidencial de João Lourenço que permitiu a afectação de 17 mil milhões de kwanzas pelo Ministério das Finanças para a aquisição de adubos (como NPK, sulfato de amónio e ureia).
Contudo, os auditores detectaram falhas graves nos mecanismos de controlo interno. Os registos existentes no FADA não permitem identificar os beneficiários em incumprimento, os planos de amortização, a maturidade dos contratos nem a entrega efectiva e paradeiro dos fertilizantes destinados aos produtores.
Até ao momento, a direcção da instituição tem mantido o silêncio, recusando prestar esclarecimentos públicos sobre as incertezas que rodeiam o destino destas verbas.







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