China reduz dependência do petróleo e reforça procura por metais industriais
Importações de metais básicos atingem recorde, enquanto compras de petróleo bruto recuam 17% até Agosto, reflectindo a crescente aposta de Pequim na manufactura, electrificação e infra-estruturas.
A estrutura das importações de matérias-primas da China está a mudar, com o aumento da procura por metais industriais a contrastar com a redução das compras de petróleo e derivados. Os dados de Janeiro a Agosto de 2026 apontam para uma economia cada vez mais orientada para a manufactura, electrificação e infra-estruturas, embora os combustíveis fósseis continuem a desempenhar um papel relevante.
De acordo com um relatório partilhado pela Reuters, as importações de metais básicos e secundários aumentaram 11% face ao mesmo período de 2025, atingindo um recorde de 250 milhões de toneladas. Bauxita, níquel, cromo, lítio e manganês registaram crescimentos de pelo menos 10%, enquanto as compras de minério de ferro e materiais ferrosos avançaram 5%, para um máximo de 870 milhões de toneladas.
A maior procura por metais está associada à produção de veículos eléctricos, baterias, painéis solares, equipamentos energéticos e máquinas industriais. O aumento também reflecte o consumo de aço em fábricas, redes de transmissão, transportes e projectos de energia renovável, reduzindo a dependência da construção residencial como principal motor da procura.
Em sentido contrário, as importações de petróleo bruto e condensado recuaram 17% nos primeiros oito meses do ano, enquanto as compras de produtos refinados diminuíram 18%. As importações de gás natural liquefeito, gás liquefeito de petróleo, propano e butano também caíram, num cenário marcado por perturbações no abastecimento, volatilidade dos preços e crescente electrificação dos transportes.
Apesar do avanço das energias renováveis, o carvão continua a ter peso significativo na matriz energética chinesa, respondendo por mais de metade da produção de electricidade. Ao mesmo tempo, as importações de produtos agrícolas, fertilizantes e produtos florestais cresceram 7%, para mais de 149 milhões de toneladas, com as compras de soja a aumentarem 5%. A evolução indica que a China está a construir uma economia industrial mais electrificada sem abandonar, no curto prazo, a sua estrutura energética tradicional.






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