NA ASSEMBLEIA GERAL DAS NAÇÕES UNIDAS

João Lourenço alerta que peso da dívida sobre países africanos limita desenvolvimento

ONU. Chefe de Estado aponta a Inteligência artificial como ferramenta fundamental para melhorar sectores como educação, saúde, agricultura, serviços públicos, investigação científica e produtividade económica

João Lourenço alerta que peso da dívida  sobre países africanos  limita desenvolvimento
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O Presidente da República, João Lourenço, defendeu esta terça-feira, em Nova Iorque, uma reforma da arquitectura financeira internacional, considerando que o elevado custo do serviço da dívida está a limitar a capacidade das economias africanas de investir no desenvolvimento.

Ao intervir no debate geral da Assembleia Geral das Nações Unidas, o chefe de Estado afirmou que “a paz e o desenvolvimento são indissociáveis”, defendendo estratégias capazes de acelerar a implementação da Agenda 2030 no continente.

Entre as prioridades apontadas estão o financiamento acessível, o alívio da dívida, a transferência de tecnologias, a capacitação e uma maior participação das nações africanas nas instituições financeiras internacionais.

Segundo João Lourenço, os Estados do continente canalizam actualmente mais recursos para o serviço da dívida do que para áreas essenciais como saúde, educação e infra-estruturas. Na sua avaliação, este cenário restringe o investimento produtivo, amplia as desigualdades e coloca em risco a estabilidade económica e social.

O governante angolano chamou igualmente a atenção para os efeitos das alterações climáticas em África, destacando as secas prolongadas, inundações, desertificação, insegurança alimentar e deslocações populacionais.

Perante este quadro, considerou necessário estabelecer um financiamento climático previsível, acessível e adicional, sem agravar o endividamento das economias em desenvolvimento.

Transformação digital

A inteligência artificial e a transformação digital também mereceram destaque na intervenção. João Lourenço apontou estas ferramentas como oportunidades para melhorar sectores como educação, saúde, agricultura, serviços públicos, investigação científica e produtividade económica.

O líder angolano defendeu ainda o reforço da cooperação Norte-Sul, Sul-Sul e triangular, de modo a reduzir o fosso digital e permitir que os países africanos aproveitem as novas tecnologias como instrumentos de inclusão e crescimento.

Para o chefe de Estado, o Pacto Digital Global pode contribuir para expandir as infra-estruturas públicas digitais, promover a inovação, reforçar a cibersegurança e criar uma governação da inteligência artificial mais inclusiva e centrada no ser humano.