Avanço considerado histórico

Angola encurta disparidade de género e é o terceiro país do mundo que mais avançou

Angola é um dos destaques do novo relatório do Fórum Económico Mundial sobre a igualdade de género. O país deu um salto na classificação mundial, subindo 30 posições num único ano, do 117.º para o 87.º lugar. Na prática, este salto significa que a diferença de oportunidades entre homens e mulheres angolanas diminuiu.

Angola encurta disparidade de género e é o terceiro país do mundo que mais avançou
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Com esta subida de 30 lugares no ranking geral, Angola foi o terceiro país do mundo que mais posições subiu na tabela, ficando atrás apenas do Quénia, que subiu 33 lugares, e do Gana, que subiu 32 lugares. Se olharmos para o aumento directo da pontuação, o progresso angolano foi o terceiro maior do planeta, superado unicamente pelas Maldivas e pelo Níger.

A principal razão para este avanço foi o progresso no acesso das mulheres à educação. As raparigas e mulheres angolanas ganharam mais terreno nas escolas e universidades, o que fez o país subir 11 lugares nesta área específica. Houve também melhorias na diferença salarial e na governação. Angola subiu 10 posições na presença feminina na governação, ocupando agora o 43.º lugar mundial. O país destaca-se no número de mulheres deputadas no parlamento, ocupando actualmente o 19.º lugar no mundo. Já no trabalho e salários, o país avançou três lugares na participação económica das mulheres, mostrando sinais de recuperação no mercado de trabalho.

Apesar do avanço, a distância em relação ao topo permanece significativa. A Islândia, líder mundial, apresenta uma pontuação de 0,900, enquanto a Finlândia e a Noruega ocupam a segunda e terceira posições, com 0,872 e 0,867, respectivamente.

Na classificação africana, a Namíbia surge como a principal referência. O país ocupa a quarta posição mundial, com uma pontuação de 0,845, ficando 14 pontos percentuais acima de Angola.

Critérios de avaliação

O Global Gender Gap Index avaliou  a disparidade entre mulheres e homens em quatro dimensões: participação e oportunidades económicas, nível de escolaridade, saúde e sobrevivência e empoderamento político, numa metodologia que calculou a pontuação dos indicadores através da relação entre os resultados obtidos por mulheres e homens, onde pontuação de 1 representa paridade completa.

Deste modo, os 0,705 pontos obtidos por Angola significam que o país alcançou 70,5% da paridade nas dimensões avaliadas pelo índice, permanecendo uma disparidade de 29,5% face à igualdade plena. O valor, contudo, não significa que 70,5% das mulheres estejam em situação de igualdade com os homens, uma vez que o índice mede a diferença relativa entre mulheres e homens em indicadores específicos, e não a proporção de mulheres que se encontram em condições de igualdade.

No conjunto das 145 economias analisadas, a disparidade global de género estava 69,2% fechada em 2026, a participação e oportunidade económicas apresentavam 61,7% do fosso fechado, enquanto o empoderamento político continuava a ser a dimensão com maior distância da paridade, com apenas 22,1%.

Assim, embora Angola tenha registado melhorias anuais do índice e recuperado 30 posições no ranking, os 70,5% de paridade alcançados mantêm o país distante das economias que lideram a classificação.