EUA prolongam por mais um ano apoio à missão de paz na Somália antes da retirada
Washington dá mais 12 meses à AUSSOM para procurar alternativas de financiamento e logística, mas mantém decisão de encerrar o suporte operacional da ONU.
Os Estados Unidos concordaram em conceder mais 12 meses para a redução gradual do apoio das Nações Unidas à missão de paz da União Africana na Somália, dando à força mais tempo para procurar alternativas de financiamento e logística.
A posição consta de uma nota diplomática vista pela Reuters, na qual os EUA afirmam estar dispostos a apoiar uma redução gradual durante 12 meses, seguida da “liquidação” do Escritório de Apoio das Nações Unidas na Somália (UNSOS).
A força africana, conhecida como AUSSOM, depende do UNSOS para serviços essenciais, incluindo alimentos, água, combustível, assistência médica e transporte de tropas. Sem o período adicional, o financiamento poderia ter sido interrompido no final de Dezembro.
Entretanto, a administração do Presidente norte-americano Donald Trump havia informado a União Africana, em Julho, que pretendia impedir a continuidade do apoio da ONU à força africana a partir do início de 2027. Agora, um porta-voz do Departamento de Estado norte-americano, a que a Reuters teve acesso, confirmou que Washington não pretende financiar ou continuar a apoiar o UNSOS, cujo orçamento ronda os 500 milhões de dólares.
“Esperamos que quaisquer processos e cronogramas de retirada sejam discutidos durante as deliberações do Conselho de Segurança da ONU em Dezembro”, afirmou o porta-voz.
A medida não elimina, contudo, as dificuldades financeiras da missão no país. No ano passado, os EUA bloquearam um plano que previa que as Nações Unidas cobrissem cerca de três quartos do orçamento anual da AUSSOM, estimado em 190 milhões de dólares.
Para Afyare Elmi, professor da Universidade da Cidade de Mogadíscio, a missão é fundamental para a estabilidade do país.
“A AUSSOM é um pilar fundamental do Estado da Somália. Sem ela, o país enfrentaria um risco real de fragmentação e desintegração do Estado”, afirmou.
A Somália enfrenta instabilidade política e conflitos desde 1991 e continua a combater grupos islamistas, incluindo a Al-Shabaab, ligada à Al-Qaeda. A AUSSOM apoia o Governo somali nas operações contra esses grupos e na estabilização do país.







Porto do Lobito fecha 2025 no "vermelho" com perdas de 3,5 mil...