GUERRA COMERCIAL EUA-CHINA

EUA e China reduzem tarifas sobre 30 mil milhões de dólares em mercadorias

28 Sep. 2026 Valor Económico Mundo

Acordo alcançado na cimeira entre Donald Trump e Xi Jinping prevê cortes recíprocos de tarifas, extensão da trégua comercial e maior abertura dos mercados dos dois países.

EUA e China reduzem tarifas sobre 30 mil milhões de dólares em mercadorias
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Os Estados Unidos e a China acordaram reduzir reciprocamente as tarifas sobre cerca de 30 mil milhões de dólares em mercadorias não sensíveis, numa medida destinada a facilitar o acesso aos mercados dos dois países e a prolongar a trégua comercial entre as duas maiores economias mundiais. Segundo um comunicado divulgado no domingo pelo Representante Comercial dos Estados Unidos, Jamieson Greer, o acordo alcançado no âmbito do Conselho de Comércio EUA-China deverá garantir um tratamento tarifário mais favorável aos produtos abrangidos, permitindo, do lado norte-americano, melhorar o acesso ao mercado chinês para cerca de 30% das exportações dos Estados Unidos destinadas à China.

A redução das tarifas esteve entre os principais resultados da segunda cimeira realizada este ano entre o Presidente chinês, Xi Jinping, e o Presidente norte-americano, Donald Trump, que decorreu na semana passada, em Washington. De acordo com a Reuters, uma das listas divulgadas pela Casa Branca prevê que a China reduza as tarifas aplicadas a diversos produtos agrícolas norte-americanos, incluindo milho, trigo, sorgo, carne, lacticínios, óleos vegetais e farelos.

Pequim deverá também reduzir as tarifas sobre peixe e marisco, madeira e produtos de madeira, cosméticos e dispositivos médicos provenientes dos Estados Unidos.

Em sentido inverso, Washington prevê cortes tarifários sobre diversos produtos chineses, entre os quais pequenos electrodomésticos, como máquinas de café e torradeiras, utensílios de mesa, cobertores e roupa de cama.

As reduções abrangem ainda brinquedos, fogos de artifício, flores artificiais, luzes para árvores de Natal e outras decorações natalícias, além de cadeiras de segurança para crianças utilizadas em automóveis.

Trégua comercial prolongada

O Ministério do Comércio da China afirmou que a extensão da trégua comercial permitirá aos dois países avaliar a implementação dos compromissos assumidos e discutir os próximos passos nas relações económicas e comerciais. Segundo Pequim, a prorrogação cria um “ambiente político relativamente estável e previsível” para a cooperação empresarial e para a continuidade das negociações.

Os dois países deverão manter conversações regulares sobre oportunidades e obstáculos ao investimento, com o objectivo de aumentar a transparência e a previsibilidade das políticas económicas e responder às preocupações das empresas.

Apesar do acordo, os mercados chineses reagiram negativamente na segunda-feira. As acções registaram quedas acentuadas, com os investidores a considerarem insuficientes os detalhes divulgados sobre os resultados da cimeira.

O índice CSI 300, que reúne as principais empresas chinesas, caiu mais de 2%, atingindo o nível mais baixo em um ano. As empresas tecnológicas também foram pressionadas por uma iniciativa bipartidária nos Estados Unidos para restringir a utilização de componentes chineses em centros de dados.