Escassez de gás no Médio Oriente coloca Angola no radar do mercado mundial
Angola LNG tem capacidade para produzir 5,2 milhões de toneladas de LNG por ano, mas a resposta ao aumento da procura internacional dependerá da disponibilidade de gás para alimentar a unidade do Soyo.
A interrupção de cerca de 36 milhões de toneladas de gás natural liquefeito (LNG) no mercado internacional, provocada pela crise no Médio Oriente, está a abrir espaço para fornecedores cujas exportações não dependem do Estreito de Ormuz. Angola surge nesse quadro através da Angola LNG, no Soyo, cuja capacidade nominal de produção chega às 5,2 milhões de toneladas anuais.
A redução da oferta proveniente do Médio Oriente, segundo a Reuters, ocorre num mercado em que o LNG à vista na Ásia passou de cerca de 10 dólares para próximo dos 30 dólares por MMBtu, e a perturbação das rotas de exportação pelo Estreito de Ormuz, por onde transitava uma parcela relevante do comércio mundial de LNG, levou compradores internacionais a procurar volumes alternativos.
No caso angolano, a principal capacidade de resposta está concentrada na Angola LNG, instalada em Soyo, província do Zaire. A fábrica foi projectada para processar até 1,1 mil milhões de pés cúbicos de gás natural por dia e produzir 5,2 milhões de toneladas de LNG por ano, através de uma rede de gasodutos com mais de 500 quilómetros que transporta gás proveniente de campos offshore.
O projecto representou um investimento de cerca de 12 mil milhões de dólares e resulta de uma parceria entre a Sonangol, a Chevron, a TotalEnergies e a Azule Energy.
Contudo, a capacidade instalada, não significa disponibilidade imediata de todo o volume potencial para exportação. A Angola LNG depende sobretudo de gás associado à produção petrolífera offshore, proveniente de diferentes blocos ligados à rede de transporte que abastece a unidade, e a própria empresa reconhece a importância da diversificação das fontes de alimentação e prevê a ligação futura de reservas de gás não associado.
A exposição de Angola ao mercado internacional não é nova. Desde o primeiro carregamento, em 2013, a Angola LNG já efectuou centenas de entregas para destinos internacionais. Entretanto, o actual contexto de escassez altera as condições de comercialização. Com os compradores a disputarem volumes disponíveis fora das rotas afectadas pelo conflito. Assim, o aumento da procura internacional coloca, em evidência uma capacidade de produção já instalada, mas também a necessidade de assegurar matéria-prima suficiente para que essa capacidade possa ser utilizada em níveis elevados.







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