FINANÇAS PÚBLICAS

Economistas pressionam Banco de Inglaterra a travar venda de títulos para conter custos da dívida

15 Sep. 2026 Valor Económico Mundo

Programa de aperto quantitativo poderá gerar perdas de até 120 mil milhões de libras para o Tesouro britânico e elevar os custos de financiamento do Estado

Economistas pressionam Banco de Inglaterra a travar venda de títulos para conter custos da dívida
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Economistas estão a pressionar o Banco de Inglaterra para reduzir ou suspender a venda de títulos da dívida pública, numa altura em que os custos de financiamento do Reino Unido atingem máximos de várias décadas e o programa de aperto quantitativo poderá representar perdas de até 120 mil milhões de libras para o Tesouro, segundo o The Guardian.

O Comité de Política Monetária do Banco de Inglaterra reúne-se esta semana para decidir não apenas sobre as taxas de juro, mas também sobre o ritmo de venda dos títulos adquiridos durante o programa de flexibilização quantitativa (QE), lançado após a crise financeira de 2008.

De acordo com o jornal britânico, o aumento da oferta de títulos no mercado pressiona os seus preços e eleva os rendimentos exigidos pelos investidores, encarecendo o financiamento do Governo. Na segunda-feira, o rendimento das obrigações britânicas a 10 anos ultrapassou 5,4%, o nível mais elevado desde Julho de 2007, enquanto o prazo de 30 anos atingiu 5,93%, máximo desde Março de 1998.

Desde o início das vendas activas, no final de 2022, o Banco de Inglaterra reduziu a carteira de títulos de 875 mil milhões para menos de 490 mil milhões de libras. A meta anual de vendas passou de 100 mil milhões para 70 mil milhões de libras e poderá ser reduzida novamente para 50 mil milhões esta semana.

O antigo vice-governador do Banco de Inglaterra, Charlie Bean, defende um maior envolvimento do Tesouro no processo, enquanto Christopher Mahon, gestor sénior da Columbia Threadneedle Investments, considera que as vendas activas deveriam ser abolidas. Segundo Mahon, a estratégia adoptada pelo Banco de Inglaterra tem sido mais onerosa do que as dos bancos centrais europeu e norte-americano.