Zimbabué paga 521 milhões de dólares a agricultores brancos
Indemnizações referem-se às terras expropriadas em 2000 durante a reforma agrária de Robert Mugabe, num processo que o Governo considera importante para regularizar dívidas e recuperar a confiança dos credores internacionais.
O Zimbabué já desembolsou cerca de 521 milhões de dólares em indemnizações a antigos agricultores brancos cujas terras foram expropriadas durante o programa de reforma agrária lançado em 2000, informou o porta-voz do Governo, Nick Mangwana.
Do montante, 508 milhões de dólares que foram pagos através de títulos do Tesouro e 12,6 milhões em dinheiro, abrangiram 623 agricultores, segundo o vice-ministro das Finanças, Desenvolvimento Económico e Promoção do Investimento, Kudakwashe Mnangagwa, pagamentos que fazem parte do esforço do país para regularizar obrigações financeiras e recuperar o acesso aos mercados internacionais de capitais, depois de o Zimbabué ter entrado em incumprimento da dívida em 1999.
A reforma agrária de 2000 levou à expropriação de cerca de 4.000 agricultores brancos, que desempenhavam um papel relevante na produção agrícola, incluindo tabaco e produtos hortícolas destinados à exportação, uma medida que chegou a provocar fortes impactos económicos e sanções internacionais, enquanto milhares de trabalhadores e agricultores foram afastados das propriedades.
Em 2020, o Governo acordou pagar 3,5 mil milhões de dólares em compensações, numa tentativa de melhorar as relações com a comunidade internacional. Posteriormente, parte das indemnizações passou a ser paga através de títulos denominados em dólares, modalidade que alguns agricultores contestaram. O Governo considera, contudo, que a aceitação dos títulos pelos beneficiários permite avançar com o processo de compensação.







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