Falta de literacia financeira leva investidores na Unitel a venderem terrenos e contraírem crédito, revela gestor da CMC
Diversos investidores que participaram na oferta pública de venda (OPV) da UNITEL encontram-se “desesperados” devido à forte desvalorização dos activos da empresa registada após a entrada no mercado bolsista. Segundo revelações da Comissão do Mercado de Capitais (CMC), a falta de literacia financeira levou muitos dos novos compradores a venderem património imobiliário, como terrenos, para conseguirem participar na operação.
As declarações foram avançadas pelo administrador executivo da CMC, Vasco Januário, durante a apresentação dos resultados do Inquérito sobre o Estudo do Mercado de Capitais em Matéria de Tecnologia e Segurança, Governação e Sustentabilidade.
Segundo Vasco Januário, grande parte destes pequenos subscritores actuou sem conhecimento prévio do funcionamento do mercado financeiro, movida sobretudo por conselhos e incentivos de familiares, amigos ou colegas. Paralelamente ao desinvestimento em imóveis, houve também quem recorresse ao crédito bancário sob a promessa de rendimentos rápidos, prevendo liquidar o empréstimo ou adquirir bens de maior valor a curto prazo com as mais-valias geradas.
“E até hoje não conseguiram pagar o crédito. Mas é assim: o mercado de capitais está a funcionar, as informações são prestadas, os preços estão a ser formados e, de facto, é esta a beleza dos mercados financeiros”, rematou o responsável.
O responsável apela aos que “chegaram na bolsa e tiveram essa surpresa”, a não confundir o mercado financeiro com uma casa de aposta, instando os membros das famílias com maior literacia financeira a instruir os seus parentes sobre o funcionamento do mercado de capitais.
A Comissão do Mercado de Capitais é a entidade reguladora do mercado de capitais em Angola, com a responsabilidade de garantir a integridade, transparência e desenvolvimento sustentável deste segmento, promovendo a confiança dos investidores e a inovação financeira.






Porto do Lobito fecha 2025 no "vermelho" com perdas de 3,5 mil...