Apostas de menores persistem em Luanda e desafiam proibição legal
Apesar da proibição legal e dos esforços institucionais para travar o acesso de menores aos jogos de azar pelo país, crianças e adolescentes continuam a fazer apostas desportivas nas ruas de Luanda, constatou o Jornal Valor Económico, que ouviu vários jovens a confessar a prática como forma de obter ganhos financeiros fáceis.
Num estabelecimento da Elephant Bet, situado na Avenida Hoji-ya-Henda, um atendente assegurou que a participação de menores é proibida e apontou para o aviso afixado que veda o "bater ficha" a menores de 18 anos. No entanto, a poucos metros do local, a realidade das ruas contraria os avisos formais.
Lucas João, de 16 anos, admitiu abertamente que recorre às apostas para conseguir "dinheiro extra", focando-se em competições como a Liga dos Campeões e a ‘La Liga’. Embora reconheça a ilegalidade, revela ter aprendido a apostar com os irmãos mais velhos.
Outro estudante, de 17 anos, que não se quis identificar, explicou que aposta para suprir necessidades pessoais que prefere não pedir aos pais, como a compra de chuteiras ou despesas de convívio. Apesar de ter ganho apenas quatro vezes, revelou apostar até sete vezes por semana, admitindo o risco de vício associado à prática. Por sua vez, a adolescente Estefania Dias da Cunha relatou uma experiência negativa no meio, alertando para casos de jovens que "acabam por ter o vício de roubar dinheiro aos pais ou vender pertences" para financiar o jogo.
É precisamente para combater este cenário que o Instituto de Supervisão de Jogos (ISJ) e o Instituto Nacional da Criança (INAC) uniram esforços, através de um protocolo de cooperação institucional divulgado pelo Ministério das Finanças.
Em declarações ao Jornal Valor Económico, o representante do INAC, Euclides Filipe, explicou que a primeira etapa desta parceria passará pela capacitação dos intervenientes do setcor, com vista a clarificar quais os jogos permitidos, os ilícitos e as atividades proibidas a menores de idade. A formação abrangerá também o segmento dos jogos online.
"Aquelas crianças que não atingiram, obviamente, os 18 anos, que não são maiores de idade, não podem, efectivamente, estar envolvidas em actividades de jogos de apostas", reforçou o responsável, sublinhando que a iniciativa prevê ainda acções de sensibilização junto da sociedade para prevenir o acesso precoce ao jogo.







Falta de literacia financeira leva investidores na Unitel a venderem terrenos e...