Gesterra continua em falência, viola lei e ‘esconde’ destino de 102 milhões na Aldeia Nova
A Gesterra continua em falência técnica e violou a lei comercial por ter o capital próprio da empresa inferior a metade do seu capital social. O alerta é do auditor independente da empresa no relatório e contas do ano passado, que chama ainda a atenção para as graves irregularidades na companhia e para os 102,5 milhões de Kwanzas aplicados na sociedade Aldeia Nova cuja documentação e suporte legal a administração não conseguiu comprovar.
A consultora UHY revela também um cenário de profunda desordem contabilística e derrocada financeira na empresa pública no encerramento do exercício de 2025. A opinião da consultora, que mereceu uma "opinião com reservas", entende que a administração da Gesterra inscreveu um investimento total de 102,5 milhões de kwanzas no projecto Aldeia Nova, mas não apresentou à auditoria os documentos e elementos necessários para comprovar a existência, razoabilidade e aplicação real desse montante. Sem suporte documental, o auditor declarou a impossibilidade de validar o valor revelado.
Capitais próprios no vermelho
A Gesterra está há mais de três anos em falência técnica. A entidade registou capitais próprios negativos de menos 730,3 milhões de kwanzas. Este resultado traduz-se num passivo que supera largamente o valor dos activos da empresa, agravado por um prejuízo líquido de 224,8 milhões de kwanzas.
Para além do investimento não comprovado na Aldeia Nova, o auditor reporta um bloqueio generalizado na verificação das contas: a GESTERRA não obteve confirmação de saldos junto de vários bancos de relevo nacional como o BAI, BFA, BIC, BNI e BDA, nem junto de clientes e fornecedores. A empresa também não realizou a contagem física dos seus ‘stocks’, inviabilizando a validação dos valores reportados em inventário.
A fragilidade de governação estende-se ao controlo interno da instituição. O Conselho Fiscal da companhia, que está a ser transformada numa empresa pública de mecanização agrícola, não emitiu qualquer parecer sobre as contas anuais do exercício anterior (2024), deixando a gestão financeira da empresa a funcionar à margem dos mecanismos obrigatórios de fiscalização.








“Não temos transformado relações bastante amistosas em uma engenharia de negócios”