RENDIMENTO DO TESOURO NORTE-AMERICANO

Rendimento dos títulos da dívida dos EUA atinge máximo desde 2007 após vaga de vendas globais

16 Sep. 2026 Valor Económico Mundo

Soberano norte-americano ultrapassa fasquia dos 5,0% pressionado pela escalada do petróleo no Médio Oriente e expectativas de subida das taxas de juro pelo Fed.

Rendimento dos títulos da dívida dos EUA atinge máximo desde 2007 após vaga de vendas globais
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O rendimento das obrigações do Tesouro dos Estados Unidos (Treasuries) a 10 anos atingiu, esta terça-feira, a marca dos 5,041%, fixando o nível mais alto registado desde 2007. A escalada dos juros soberanos reflecte a intensa vaga de vendas globais de títulos de dívida, num contexto de forte incerteza impulsionado pelas tensões geopolíticas no Médio Oriente, pela subida dos custos da energia e pela expectativa de um novo aperto na política monetária pela Reserva Federal (Fed).

A rotação do mercado e a consequente subida das taxas de rendimento dos títulos norte-americanos são sustentadas, em grande medida, pelo agravamento do conflito no Médio Oriente, uma crise que ganhou contornos mais severos após os rebeldes houthis do Iémen assumirem o controlo da costa iemenita do Mar Vermelho e do Estreito de Bab al-Mandeb, uma artéria fundamental para o escoamento do petróleo global. Paralelamente, o bloqueio promovido pelo Irão no Estreito de Ormuz e os ataques com drones que forçaram o governo da Arábia Saudita a encerrar o seu oleoduto Leste-Oeste no fim-de-semana intensificaram os receios de escassez na oferta da commodity.

A subida acelerada dos preços do crude reacendeu os alertas de um novo ciclo inflacionista à escala global, elevando a pressão sobre os bancos centrais para a manutenção ou agravamento das políticas restritivas.

Neste cenário de instabilidade, a directoria da Reserva Federal reúne-se entre hoje e amanhã para deliberar sobre a taxa básica de juros nos Estados Unidos. O comité de política monetária do Fed manteve a taxa directora no intervalo entre 3,50% e 3,75% ao ano durante os últimos cinco encontros consecutivas, contudo, os seus responsáveis têm manifestado reiterada preocupação com a persistência da inflação.

Os mercados financeiros aguardam agora com elevado grau de expectativa a divulgação do Índice de Preços ao Consumidor (CPI), agendada para amanhã, considerado o indicador mais determinante antes da decisão final de política monetária marcada para os dias 15 e 16 de Setembro.