“Não temos transformado relações bastante amistosas em uma engenharia de negócios”
Entende que as relações comerciais entre o Brasil e Angola deveriam merecer um outro tipo de tratamento, à semelhança do que ocorre na cooperação política e cultural. Raimundo Lima, presidente da Câmara de Comércio Brasil-Angola, refere que o comércio entre os dois países enfrenta custos logísticos relevantes e alerta para a necessidade de revisão da lei de terras para que possa atrair investidores brasileiros.
Qual é a análise que faz das relações comerciais entre Angola e Brasíl?
As relações comerciais estão aquém das relações culturais e diplomáticas. Ou seja, temos uma irmandade muito forte, fomos o primeiro país a reconhecer a Independência de Angola, de lá para cá temos tido um relacionamento muito bom, com o interregno depois de 2015. Mas não temos transformado as relações bastante amistosas em uma engenharia de negócios. O que precisamos é de transformar cada vez mais o bom relacionamento que os governos e empresários têm em negócios mais efectivos.
O que falta?
São vários factores. Primeiramente, falta concatenar os interesses de um lado e de outro, a nível de governos. Mas, nesse sentido, já tem havido um avanço significativo e várias actividades têm sido desenvolvidas entre os dois países. Acho que é preciso criar rapidamente linhas de financiamento do Brasil para Angola. Temos, em Angola, uma certa dificuldade de obtenção de recursos junto aos bancos. Falta um ambiente de negócios mais apropriado, falta uma definição melhor das formas de financiamento, tanto para os angolanos quanto para os brasileiros. É preciso que a banca se sinta mais comprometida com a concessão de financiamentos, porque ainda são difíceis.
Esta dificuldade impede a concretização dos projectos de investimento?
Sim, com certeza, mas está a haver uma nova forma de criar novos modelos de financiamento. Se há alguma dificuldade no modelo anterior que fez com que Angola deixasse de receber financiamento desde 2015 até hoje, está-se a discutir-se o modelo com mais transparência, com ampliação do leque dos beneficiários.
Para ler o artigo completo no Jornal em PDF, faça já a sua assinatura, clicando em 'Assine já' no canto superior direito deste site.







Aviões reduzem operações em Angola, mas transportam mais carga do que...