Higino Carneiro critica exposição feita por João Lourenço e rejeita "inimigos" no MPLA
O general na reserva e pré-candidato à liderança do MPLA, Higino Carneiro, revelou ter ficado "surpreendido" quando, apenas uma semana após ter anunciado em privado ao presidente do partido, João lourenço, a sua intenção de se candidatar, essa decisão foi tornada pública numa cadeia televisiva pelo próprio líder do MPLA. Segundo o antigo governante, em declarações prestadas à imprensa, o anúncio público foi feito num tom e numa forma que não correspondiam ao diálogo prévio e reservado que ambos haviam mantido.
Apesar da controvérsia, o dirigente garantiu esta quinta-feira, em Luanda, que nunca procurou "inimigos" nem pretende transformar os seus correligionários em "adversários" no seio da organização política. Higino Carneiro sustentou que a decisão de concorrer à presidência do partido foi tomada em estrito respeito pelas regras estatutárias estabelecidas pela própria força partidária.
As declarações surgem na sequência da anulação da sua candidatura por parte da subcomissão de candidaturas ao IX Congresso, decisão reforçada pela rejeição do Tribunal Constitucional, que considerou improcedente a providência cautelar interposta pelo candidato.
Durante uma conferência de imprensa em Luanda, o antigo governante manifestou surpresa perante a repercussão do processo. "Nunca imaginei que uma decisão assumida no quadro do Comité Central do MPLA pudesse transformar-se numa verdadeira epopeia, dando lugar a tanta especulação, controvérsia e interpretações que nunca estiveram no propósito da minha decisão", afirmou.
A escassos meses de o partido comemorar sete décadas de existência, Higino Carneiro aproveitou a ocasião para apelar à coesão interna. "Estamos a chegar aos 70 anos da fundação do nosso partido, é por isso um momento que deveria convidar-nos à reflexão, à maturidade e sobretudo ao fortalecimento da democracia interna, nos termos dos nossos estatutos e das decisões reafirmadas no congresso extraordinário que teve lugar em Dezembro de 2024", defendeu.
Por essa razão, volvido algum tempo, sentiu-se obrigado a reconhecer que aquilo que parecia constituir uma abertura concreta à pluralidade interna corre o risco de permanecer apenas como uma intenção.
Higino Carneiro sublinha que os militantes do partido continuam a acompanhar um processo que todos esperavam que ocorresse num ambiente festivo e de participação, afastando a ideia de que um pequeno grupo possa reduzir o congresso a uma candidatura única ao cargo de presidente da organização. O pré-candidato apresenta-se, assim, como o "defensor das vozes de todos aqueles que não se revoem nesta prática que consideramos inadequada e que não dignifica o MPLA".







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