Expansão cimenteira em Angola ameaça oferta de electricidade e combustíveis
Angola surge entre os países africanos com projectos de grande dimensão no sector do cimento, integrando uma vaga de expansão industrial que promete intensificar a pressão sobre a oferta de electricidade e combustíveis no continente. O alerta consta de um relatório recente da organização Global Energy Monitor (GEM), que associa este crescimento ao ritmo acelerado de urbanização, industrialização e construção de infra-estruturas na região.
Apesar de África consumir actualmente menos de 5% da energia fornecida a nível mundial, o continente concentra 42% de toda a capacidade de produção de cimento em construção a nível global. Esta discrepância reflecte o forte dinamismo dos novos investimentos industriais, mas ameaça agravar as carências energéticas regionais à medida que as novas unidades fabris entrarem em funcionamento.
Os dados da GEM indicam que o continente africano conta com cerca de 441 milhões de toneladas de capacidade anual de cimento em operação. A este volume somam-se 43,3 milhões de toneladas actualmente em fase de construção e outros 23 milhões de toneladas em projectos já anunciados. Caso todas as iniciativas se concretizem, a capacidade total de produção ultrapassará as 507 milhões de toneladas por ano, consolidando o peso industrial da região e aumentando os desafios para o sector energético.
Deste volume, actualmente, Angola conta com cerca de 12 milhões de toneladas de capacidade em operação, 8,3 milhões em construção e aproximadamente 3,7 milhões anunciadas. Integrando a segunda posição, no grupo de mercados africanos com projectos relevantes de expansão da produção cimenteira, ficando entre a Algéria que lidera, e o Benin que encontra-se na na terceira posição.
A produção de cimento é intensiva em energia e recorre a combustíveis como carvão, coque de petróleo e gás natural. A entrada em funcionamento de novas unidades poderá, por isso, aumentar a procura por electricidade e combustíveis, além da necessidade de infra-estruturas para transporte, distribuição e armazenamento de energia.
Para Angola, a expansão da indústria cimenteira representa, simultaneamente, uma oportunidade de acompanhar a procura por materiais de construção e um desafio para a capacidade de garantir energia suficiente e competitiva para sustentar o crescimento industrial. À medida que os projectos avancem, o sector poderá tornar-se também um dos indicadores da evolução da procura energética do país.






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