Japão enfrenta nova pressão sobre custos de financiamento
Rendimento dos títulos a 10 anos atinge 3% pela primeira vez desde 1996, num contexto de inflação, aumento do petróleo e preocupações com as contas públicas
O rendimento dos títulos do Governo japonês a 10 anos atingiu, esta terça-feira, os 3%, pela primeira vez desde 1996, num movimento que ocorre em simultâneo com uma forte venda de obrigações nos mercados internacionais, informou a Reuters.
A subida reflecte a crescente preocupação dos investidores com a inflação, a sustentabilidade das finanças públicas e a possibilidade de novos aumentos das taxas de juro. Entretanto, a pressão agravou-se com a retoma dos ataques militares no conflito entre os Estados Unidos e Israel com o Irão, que contribuiu para levar os futuros do petróleo Brent acima dos 91 dólares por barril, elevando os preços da energia e levando os investidores a exigir rendimentos superiores para manter títulos de longo prazo.
No Japão, a subida dos rendimentos poderá aumentar a despesa do Estado com o serviço da dívida, limitando a margem para novos gastos públicos. Analistas citados pela Reuters consideram que a evolução também poderá reflectir uma mudança nas expectativas em relação à política monetária do Banco do Japão.
Na visão dos analistas, a subida dos juros japoneses poderá ter repercussões nos mercados internacionais, uma vez que rendimentos mais elevados dos títulos domésticos podem tornar os activos japoneses mais atractivos e incentivar os investidores do país a reduzir aplicações no exterior e a repatriar capitais.
Contudo, os especialistas apontam que uma eventual redução da procura japonesa por títulos estrangeiros poderá, por sua vez, pressionar os rendimentos da dívida dos Estados Unidos e da Europa, e este movimento poderá contribuir para uma reavaliação global dos custos de financiamento e das perspectivas de política monetária.







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