o GBI-EM Edge, vocacionado para mercados de fronteira

Angola integrada no novo índice global de obrigações da JPMorgan

Angola foi seleccionada para integrar o novo índice de obrigações em moeda local da JPMorgan, o GBI-EM Edge, vocacionado para mercados de fronteira. O lançamento oficial da nova ferramenta de referência financeira deverá ocorrer antes do final deste mês.

Angola integrada no novo índice global de obrigações da JPMorgan

A inclusão projecta o mercado de dívida pública angolana em moeda nacional para uma plataforma de visibilidade internacional, passando a figurar no radar dos grandes investidores globais.

Apesar do anúncio da integração angolana, a instituição financeira norte-americana ainda não divulgou a composição integral do índice nem a ponderação definitiva dos restantes 26 países participantes. O peso específico atribuído à dívida angolana no cabaz do índice será assim confirmado apenas após o seu lançamento formal.

De acordo com o Business Insider África, o  novo índice deverá acompanhar cerca de 330 mil milhões de dólares em títulos elegíveis. E, no caso de Angola, o mercado doméstico de obrigações está avaliado em aproximadamente 18,6 mil milhões de dólares, uma vez que tem vindo a ser aberto a um universo mais amplo de investidores estrangeiros. 

A referência do JPMorgan poderá também alterar a visibilidade dos títulos angolanos junto de fundos que utilizam índices para definir a composição das suas carteiras. Os gestores que replicam um índice tendem a adquirir os activos que o integram de acordo com as respectivas ponderações, enquanto outros investidores utilizam o referencial para comparar o desempenho das suas carteiras.

A inclusão, contudo, não representa uma entrada automática de capital estrangeiro em Angola. O impacto efectivo dependerá da adesão dos fundos ao índice, da liquidez dos títulos, das condições monetárias internacionais e da evolução da taxa de câmbio e das taxas de juro domésticas.

Para o Tesouro angolano, uma maior participação de investidores estrangeiros no mercado de dívida em moeda local poderá ampliar a base de financiamento interno. O recurso a obrigações denominadas em kwanzas reduz, por outro lado, a exposição directa do Estado ao risco cambial associado ao serviço de dívida contraída em moedas estrangeiras.