Especialista crítica autoridades angolanas

Turkish Airlines abandona voos para Luanda e contraria expetativas do Ministério dos Transportes

A companhia aérea Turkish Airlines cancelou a retoma das suas operações para Luanda, tendo retirado a capital angolana de forma definitiva de todos os seus sistemas globais de reserva, apurou o Valor Económico.

Turkish Airlines abandona voos para Luanda e contraria expetativas do Ministério dos Transportes
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A decisão contraria a informação prestada em Abril deste ano pelo Ministério dos Transportes e pela Autoridade Nacional da Aviação Civil (ANAC), que garantiram publicamente que a interrupção era apenas temporária e motivada pela instabilidade no Médio Oriente.  
Inicialmente, as autoridades previam o regresso da transportadora turca para Outubro deste ano, prazo que a companhia adiou, numa primeira fase, para Novembro e, posteriormente, para Abril de 2027. Contudo, a recente eliminação total das rotas com destino a Luanda nas plataformas de venda confirma o abandono definitivo da ligação por parte da operadora, deixando sem efeito as garantias anteriores do executivo. 
  
O especialista em aviação, Pedro Castro, entende que as declarações do ministério e do regulador “nunca deveriam ter sido feitas, porque não correspondiam à realidade”  e que o crucial era fazer uma avaliação sobre as razões que levaram a operadora a riscar o país da sua rota. 
  
“A Turkish Airlines, que continua a voar de Istambul para mais de 120 países e mais de 240 aeroportos, decidiu não voltar a Angola e a Luanda. E isso deveria obrigar o Governo e o regulador a perguntar porquê, em vez de tentarem mascarar uma decisão comercial de uma companhia com uma explicação geopolítica conveniente”, entende. 
  
A decisão ocorre quando verifica-se tráfego aéreo em território angolano abaixo do pretendido pelo Executivo com a inauguração do novo aeroporto. Para o mesmo especialista representa um embaraço. 
  
“É particularmente embaraçoso quando, depois de tantos investimentos públicos, tanta propaganda sobre o crescimento da aviação angolana e tanta intervenção pública do próprio regulador, uma companhia desta dimensão deixa Angola. O problema não é a Turkish Airlines sair, o problema é ninguém querer explicar por que razão saiu. E, sobretudo, ter transformado uma decisão definitiva numa suposta suspensão temporária é desinformar em vez de governar”, observa. 
  
Actualmente o tráfego angolano é suportado pela TAAG, seja no segmento doméstico e internacional. Existem apenas  companhias internacionais a voarem para Luanda de forma irregular.