Banco Central Europeu prepara segunda e última subida de juros do ano
Todos os 65 economistas consultados pela Reuters prevêem uma subida de 0,25 pontos
percentuais em Setembro, para 2,50%, apesar da aceleração da inflação para 3,3%
O Banco Central Europeu (BCE) deverá aumentar a taxa de depósito em 0,25 pontos
percentuais, para 2,50%, no próximo dia 10 de Setembro, naquela que deverá ser a
segunda e última subida de juros do ano, segundo uma sondagem realizada entre 31 de
Agosto e 3 de Setembro pela Reuters.
A inflação da zona euro acelerou para 3,3% em Agosto, acima da meta de 2% do BCE,
impulsionada sobretudo pelo aumento dos preços da energia. Apesar disso, a maioria
dos economistas considera que o choque energético não deverá desencadear pressões
inflacionistas generalizadas. “Ainda achamos difícil imaginar (...) que o BCE esteja
realmente disposto a jogar mais lenha na fogueira”, afirmou Carsten Brzeski, chefe
global de macroeconomia do ING.
Cerca de 91% dos economistas consultados prevêem que a taxa de depósito termine
2026 nos 2,50%, enquanto 78% acreditam que permanecerá nesse nível até meados de
2027. A expectativa contrasta com a dos mercados, onde os contratos futuros de taxas
de juro continuam a incorporar a possibilidade de uma terceira subida.
No que respeita à inflação, as previsões para 2026 foram revistas em alta pela sexta vez
este ano, para 2,9%. Para o trimestre em curso e o seguinte, as estimativas passaram
para 3,2% e 3,3%, respectivamente. “Ainda acreditamos que a inflação se aproximará
da meta ao longo do próximo ano”, afirmou Pia Fromlet, economista da zona euro no
SEB.
O cenário permanece condicionado pela evolução da guerra no Médio Oriente e pelo
comportamento dos preços dos combustíveis e dos alimentos. “Os altos preços do
diesel, da gasolina e dos alimentos são muito visíveis para os consumidores”, alertou
Alain Durre, economista-chefe para a Europa da Natixis, acrescentando que a
persistência dessas pressões poderá elevar novamente as expectativas de inflação.
Por outro lado, apesar das pressões inflacionistas, os economistas prevêem que a
economia da zona euro cresça 0,8% em 2026 e 1,2% em 2027. Se a previsão se
confirmar, o ciclo de subida de juros do BCE será o mais curto desde 2011, quando a
instituição aumentou as taxas duas vezes devido à forte subida dos preços do petróleo.







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