POLÍTICA MONETÁRIA | ZONA EURO

Banco Central Europeu prepara segunda e última subida de juros do ano

04 Sep. 2026 Valor Económico Mundo

Todos os 65 economistas consultados pela Reuters prevêem uma subida de 0,25 pontos

percentuais em Setembro, para 2,50%, apesar da aceleração da inflação para 3,3%

Banco Central Europeu prepara segunda e última subida de juros do ano
DR

O Banco Central Europeu (BCE) deverá aumentar a taxa de depósito em 0,25 pontos

percentuais, para 2,50%, no próximo dia 10 de Setembro, naquela que deverá ser a

segunda e última subida de juros do ano, segundo uma sondagem realizada entre 31 de

Agosto e 3 de Setembro pela Reuters.

A inflação da zona euro acelerou para 3,3% em Agosto, acima da meta de 2% do BCE,

impulsionada sobretudo pelo aumento dos preços da energia. Apesar disso, a maioria

dos economistas considera que o choque energético não deverá desencadear pressões

inflacionistas generalizadas. “Ainda achamos difícil imaginar (...) que o BCE esteja

realmente disposto a jogar mais lenha na fogueira”, afirmou Carsten Brzeski, chefe

global de macroeconomia do ING.

Cerca de 91% dos economistas consultados prevêem que a taxa de depósito termine

2026 nos 2,50%, enquanto 78% acreditam que permanecerá nesse nível até meados de

2027. A expectativa contrasta com a dos mercados, onde os contratos futuros de taxas

de juro continuam a incorporar a possibilidade de uma terceira subida.

No que respeita à inflação, as previsões para 2026 foram revistas em alta pela sexta vez

este ano, para 2,9%. Para o trimestre em curso e o seguinte, as estimativas passaram

para 3,2% e 3,3%, respectivamente. “Ainda acreditamos que a inflação se aproximará

da meta ao longo do próximo ano”, afirmou Pia Fromlet, economista da zona euro no

SEB.

O cenário permanece condicionado pela evolução da guerra no Médio Oriente e pelo

comportamento dos preços dos combustíveis e dos alimentos. “Os altos preços do

diesel, da gasolina e dos alimentos são muito visíveis para os consumidores”, alertou

Alain Durre, economista-chefe para a Europa da Natixis, acrescentando que a

persistência dessas pressões poderá elevar novamente as expectativas de inflação.

Por outro lado, apesar das pressões inflacionistas, os economistas prevêem que a

economia da zona euro cresça 0,8% em 2026 e 1,2% em 2027. Se a previsão se

 

confirmar, o ciclo de subida de juros do BCE será o mais curto desde 2011, quando a

instituição aumentou as taxas duas vezes devido à forte subida dos preços do petróleo.