em entrevista ao Jornal da Rádio Central,

Presidente do Parlamento quer mais empresas chinesas no sector não petrolífero

Presidente da Assembleia Nacional defende reforço da cooperação em tecnologia, formação de quadros e infra-estruturas, numa altura em que cerca de 600 empresas chinesas operam no mercado angolano

Presidente do Parlamento quer mais empresas chinesas no sector não petrolífero

Angola pretende reforçar a participação chinesa no processo de diversificação da economia nacional através do aumento do investimento, da transferência de tecnologia, da formação de quadros e da construção de infra-estruturas estratégicas. A intenção foi manifestada pelo presidente da Assembleia Nacional, Adão de Almeida, em entrevista ao Jornal da Rádio Central, a propósito da sua visita oficial à China.

Durante a entrevista, o líder do parlamento angolano destacou a existência de um acordo de protecção recíproca de investimentos como uma das principais medidas para atracção de capital estrangeiro, num momento em que o país procura consolidar um ambiente de negócios mais favorável.

Segundo o responsável, esta dinâmica tem-se reflectido de forma clara no mercado nacional, onde se verifica uma forte presença empresarial asiática. “Temos em Angola, neste momento, cerca de 600 empresas chinesas, um pouco menos, talvez, que estão implantadas, investem e estão sediadas no país, algumas das quais há já muitos anos”, sublinhou.

A presença chinesa em Angola estende-se à indústria transformadora, construção civil e siderurgia, entre outras actividades, enquanto o Executivo procura reduzir a dependência da economia do sector petrolífero.

O presidente da Assembleia Nacional rejeitou a ideia de que diversificar a economia implique abandonar o petróleo e apontou que o sector continua a ser necessário, podendo funcionar como fonte de financiamento e estímulo ao desenvolvimento de outras actividades económicas.

“Ela continua a ser útil e continua a ser necessária e o seu desenvolvimento incentivado para que o sector petrolífero possa incentivar o crescimento de outros sectores”, afirmou.

Adão de Almeida manifestou ainda interesse no investimento em transferência de tecnologia e conhecimento, referindo que essa aposta ganha particular relevância devido à estrutura demográfica de Angola, marcada por uma população jovem.

“Temos também interesse de partilhar experiências, aprender com a República Popular da China e ter um programa mais sustentado de transferência de tecnologia e de conhecimento”, salientou.

“Angola é um país com uma população jovem muito grande, o que quer dizer, dentre outras consequências, que o investimento na formação dessa população jovem constitui um desafio e, ao mesmo tempo, uma grande oportunidade”, referiu.

O presidente do Parlamento falou ainda sobre a cooperação entre Angola e a China na componente das infra-estruturas, apontando a barragem hidroeléctrica de Caculo-Cabaça e o Porto Caio, em Cabinda, como investimentos estratégicos em execução no âmbito da parceria entre os dois países.

A continuidade deste tipo de projectos é enquadrada pelo presidente da Assembleia Nacional na estratégia de diversificação económica e no reforço das infra-estruturas consideradas necessárias para o desenvolvimento do país.