Petróleo acima dos 100 dólares ameaça reacender inflação nas economias africanas
Escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão volta a pressionar o crude e aumenta os receios de uma nova vaga inflacionista, num momento em que os mercados aguardam novos dados sobre os preços nos EUA.
A escalada do conflito entre os Estados Unidos e o Irão voltou a colocar o petróleo no centro das preocupações dos mercados internacionais, com o Brent a ultrapassar os 100 dólares por barril pela primeira vez desde Julho, uma subida que reacende os riscos inflacionistas e pode dificultar o alívio das taxas de juro, num cenário particularmente sensível para as economias africanas dependentes de combustíveis e importações.
O Brent chegou a ultrapassar os 100 dólares durante a sessão, tendo posteriormente recuado para 99,94 dólares por barril, ainda assim com uma valorização de 2,06%. A evolução do crude mantém os investidores atentos ao impacto que custos energéticos mais elevados poderão ter sobre a inflação, o crescimento económico e as decisões dos bancos centrais.
Nos Estados Unidos, os mercados passaram a atribuir maior probabilidade a uma subida de 25 pontos-base da taxa de juro pela Reserva Federal na próxima semana, e a possibilidade de juros mais elevados reflecte a preocupação de que a subida do petróleo complique os esforços para controlar a inflação.
Para os analistas do Morgan Stanley, citados pela Reuters, a combinação entre preços elevados do petróleo e taxas de juro constitui actualmente um dos principais riscos para as acções no curto prazo. A instituição chama ainda atenção para a redução das reservas estratégicas, que limita a margem de resposta à volatilidade do mercado petrolífero.
Em África, uma nova escalada dos preços do petróleo representa um risco assimétrico. Enquanto os países exportadores podem beneficiar de maiores receitas externas, as economias dependentes da importação de combustíveis ficam expostas ao aumento dos custos de transporte, produção e bens essenciais, podendo transferir a pressão para os preços internos.
O impacto poderá também prolongar-se para além dos combustíveis. Uma inflação energética persistente tende a pressionar os custos das empresas e das famílias, ao mesmo tempo que reduz o espaço dos bancos centrais para baixar as taxas de juro e estimular a actividade económica.
Nos Estados Unidos, os investidores aguardam os dados do Índice de Preços ao Produtor, previstos para quinta-feira, e do Índice de Preços no Consumidor, na sexta-feira. As duas divulgações serão determinantes para avaliar se a pressão sobre os preços está a aumentar e qual poderá ser a resposta da Reserva Federal.







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