num vento em Luanda

Líder do Banco Sol pede "prudência" no crédito e lembra crise do malparado

O presidente da Comissão Executiva do Banco Sol, Osvaldo Lemos Macaia, alertou que a expansão do crédito à economia deve continuar a ser feita com "prudência" e por uma avaliação mais rigorosa do risco dos projectos e na protecção dos recursos confiados pelos depositantes.

Líder do Banco Sol pede "prudência" no crédito e lembra crise do malparado
DR

A posição foi defendida durante a quinta edição da "Mesa Redonda com os CEO's", um evento promovido pela Global Corporation Services. O líder do Banco Sol sustentou que os bancos trabalham maioritariamente com os depósitos dos clientes, pelo que a concessão de financiamento deve assentar em critérios técnicos capazes de assegurar a recuperação dos créditos concedidos.  
Na sua intervenção, recordou que a banca enfrentou, há poucos anos, níveis elevados de crédito em incumprimento, situação que levou o regulador e as próprias instituições financeiras a reforçarem os mecanismos de gestão de risco e de governação. 
Segundo o gestor, a maior exigência actualmente observada na análise dos pedidos de financiamento não deve ser interpretada como uma menor disponibilidade dos bancos para apoiar a economia, mas como uma resposta à necessidade de preservar a estabilidade do sistema financeiro e evitar a repetição dos problemas registados no passado. 
Osvaldo Macaia referiu ainda que, de acordo com dados do estudo Banca em Análise, o crédito à economia aumentou cerca de 93% nos últimos cinco anos, sobretudo nos três anos mais recentes, defendendo que a evolução demonstra a continuidade do financiamento a projectos considerados viáveis. 
Entre os desafios para ampliar a capacidade de financiamento da banca, apontou a necessidade de aumentar os níveis de poupança, reforçar a captação de depósitos, fortalecer os fundos próprios das instituições financeiras e consolidar um ambiente macroeconómico estável, factores que, na sua opinião, poderão permitir uma expansão sustentada do crédito. 
O responsável considerou igualmente que a dimensão do activo agregado da banca angolana continua reduzida quando comparada com a de outros mercados africanos, defendendo que o reforço da capitalização das instituições financeiras permitirá aumentar, de forma gradual, a capacidade de financiamento de sectores estratégicos da economia, incluindo a indústria petrolífera. 
O dilema do financiamento  
A qualidade da carteira de crédito continua a ser um dos principais desafios do sector bancário. Nos últimos anos, o sistema financeiro foi obrigado a reforçar os critérios de concessão de empréstimos, depois de um período marcado por elevados níveis de crédito em incumprimento, que exigiu medidas de saneamento, reforço das provisões e maior supervisão por parte do Banco Nacional de Angola(BNA). A prudência na concessão de crédito tem sido apontada pelos bancos como condição para preservar a estabilidade financeira, embora os empresários continuem a defender um maior acesso ao financiamento para impulsionar o investimento privado.