OGE 2027

Finanças inicia auscultação pública e diz que contributos já influenciaram dotações para saúde e educação

O Ministério das Finanças, em parceria com o UNICEF, deu início, esta quarta-feira, em Luanda, à 4.ª edição do Fórum de Auscultação aos Parceiros Económicos e Sociais (FAPES), iniciativa inserida no processo de preparação do Orçamento Geral do Estado (OGE) para 2027. 

Finanças inicia auscultação pública e diz que contributos já influenciaram dotações para saúde e educação
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De acordo com director nacional do Orçamento do Estado, Edilásio Caleia  Executivo, os contributos recolhidos junto da sociedade civil têm sido considerados na elaboração do orçamento, apontando como exemplos o reforço das dotações para os sectores da saúde e da educação na proposta orçamental do ano anterior. 

Segundo o director Edilásio Caleia, a iniciativa  enquadra-se na estratégia do Executivo de promover maior transparência e inclusão dos diferentes actores sociais na definição das políticas públicas,  o responsável aludiu que as recomendações apresentadas, tal como ocorreu com as edições anteriores, têm sido objecto de análise técnica e várias delas acabam sendo incorporadas na proposta orçamental. 

Edilásio Caleia acrescentou que os contributos recebidos no ano passado foram sistematizados e publicados no portal do Ministério das Finanças, permitindo acompanhar as recomendações apresentadas e a forma como foram consideradas na preparação do orçamento. 

O director nacional do Orçamento do Estado explicou ainda  que o processo de elaboração do OGE está dividido em várias etapas, que as duas primeiras fases são relativas à definição dos pressupostos macroeconómicos e à preparação das regras, princípios e instruções que orientam o sistema orçamental, e por fim a terceira fase, que tem a ver com  a consolidação das informações recebidas e, a submissão da proposta consolidada à Assembleia Nacional.

Sociedade civil apresenta cinco prioridades para o próximo orçamento

Durante o fórum, a ADRA Angola (Acção para o Desenvolvimento Rural e Ambiente) apresentou um conjunto de recomendações que considera prioritárias para aumentar o impacto do Orçamento Geral do Estado na melhoria das condições de vida da população.

O representante da organização, Simione Justino Chiculo, defendeu que o Executivo deve reforçar o financiamento dos programas sociais com enfoque territorial. Segundo afirmou, "é importante que os recursos públicos sirvam efectivamente as comunidades mais vulneráveis, sobretudo nas zonas rurais e nos municípios com maior índice de pobreza", considerando esta uma medida fundamental para responder às necessidades das populações.

Entre as propostas apresentadas, a ADRA defendeu também a criação de parcerias estruturadas entre o Estado e as organizações da sociedade civil. Na visão da organização, estas instituições possuem experiência acumulada, conhecimento do território e proximidade com as comunidades, capacidades que, segundo Chiculo, podem ser aproveitadas pelo Estado "através de mecanismos transparentes de cooperação e implementação conjunta dos programas".

No domínio da governação, a ADRA apelou ao reforço da participação cidadã na execução e monitorização do OGE, sustentando que "a inclusão dos cidadãos no planeamento e na execução do orçamento poderá contribuir para maior transparência, melhor aplicação dos recursos públicos”.

A organização propôs igualmente um maior apoio à agricultura familiar e à economia local, defendendo investimentos em assistência técnica, sistemas de irrigação e mecanismos de crédito menos burocráticos, "créditos que não compliquem a vida do camponês nem do cidadão comum para ter acesso ao financiamento".

Por fim, Com a organização recomendou que o OGE reforce as medidas dirigidas aos grupos mais vulneráveis, defendendo políticas específicas para mulheres, jovens, com especial atenção aos desempregados, crianças, idosos, pessoas com deficiência e comunidades afectadas por fenómenos climáticos extremos.