Um ano depois do Acordo Internacional

Exigência de 10% no crédito trava novos produtores de café em Angola, alerta associação

A “pouca sensibilidade” em relação ao sector cafeícola em Angola está a sufocar os produtores e a inviabilizar o acesso ao crédito bancário. O alerta é do presidente da Associação Nacional do Café, Cacau e Palmar de Angola, João Ferreira.

Exigência de 10% no crédito trava novos produtores de café em Angola, alerta associação
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Em causa está a exigência, por parte das instituições financeiras, de uma comparticipação mínima de 10% do valor total do financiamento por parte dos requerentes. Segundo o responsável, ao Valor Económico, este requisito constitui uma barreira intransponível para quem tenta dar os primeiros passos na actividade. “Trata-se de uma exigência impossível de cumprir, visto que quem está a começar dificilmente dispõe desse montante”, sublinha o líder associativo, apelando a uma revisão das condições de crédito para alavancar a produção nacional. 
No ano passado, a Assembleia Nacional aprovou a ratificação do Acordo Internacional do Café de 2022. O documento tem como objectivo o fortalecimento do sector a nível global, promovendo a sua expansão económica e social.  
Dados oficiais indicam que as províncias do Uíge, com mais de 49%, e do Cuanza Sul, com 45%, lideram a lista dos maiores produtores de café no país, onde cerca de 78% da produção provém do sector familiar. 
Embora reconheça o empenho do Governo em divulgar além-fronteiras o café produzido em Angola, João Ferreira manifesta a necessidade de se reabilitar o Fundo do Café para que esta instituição desempenhe o papel de financiador, particularmente para muitos jovens que estão a começar.  
O aumento de jovens na produção do café seria um bom indicador para aumentar a colheita, segundo João Ferreira, mas o mesmo não se pode dizer devido à estiagem a que se assistiu no presente ano e à falta de financiamento, trazendo várias incertezas para o sector.