A MONSTRUOSIDADE DA UNITEL
Há realidades incontornáveis na economia angolana, e a Unitel é uma delas. Se alguém ainda tivesse dúvidas sobre a importância da maior operadora de telecomunicações do país, o apagão registado esta terça-feira — e que se prolongava até ao fecho desta edição — dissipou-as por completo.
Há realidades incontornáveis na economia angolana, e a Unitel é uma delas. Se alguém ainda tivesse dúvidas sobre a importância da maior operadora de telecomunicações do país, o apagão registado esta terça-feira — e que se prolongava até ao fecho desta edição — dissipou-as por completo.
Os prejuízos do incidente ainda estão por contabilizar, mas lembra que a Unitel deixou há muito de ser apenas uma empresa de telecomunicações. Tornou-se uma infraestrutura crítica para o funcionamento da economia nacional. Quando a sua rede falha, não ficam apenas comprometidas as chamadas telefónicas ou o acesso à internet. São afectados pagamentos electrónicos, actividades comerciais, serviços, empresas e milhões de cidadãos que dependem diariamente da conectividade para trabalhar, produzir e consumir.
Com mais de 20,8 milhões de clientes, equivalentes a 73,2% dos subscritores de telefonia móvel do país, e, muito provavelmente, uma quota ainda superior nas ligações de dados móveis, a responsabilidade da Unitel vai muito além dos resultados financeiros. A dimensão da empresa exige padrões de gestão, investimento e prevenção compatíveis com o papel sistémico que hoje desempenha. Em matéria de cibersegurança, redundância de sistemas e capacidade de resposta, já não há espaço para improvisações nem para mediocridade.
O episódio também reforça a importância de uma estrutura accionista mais diversificada e seriamente comprometida. A entrada de mais de 11 mil novos accionistas, através da privatização de 15% do capital, representa um passo relevante para aproximar a empresa das exigências do mercado. Empresas desta dimensão tendem a beneficiar de modelos de governação mais escrutinados, com maior transparência, responsabilização e disciplina na execução da estratégia. O desafio será transformar essa nova realidade accionista em melhores práticas de gestão.
A própria Oferta Pública de Venda deixou outra mensagem que merece reflexão. A procura superou a oferta disponível em cerca de 21%, permitindo ao Estado arrecadar mais de 300 mil milhões de kwanzas. Embora fosse possível participar com apenas uma acção, ao preço de 40.040 kwanzas, uma extrapolação dos resultados aponta para um investimento médio superior a 26 milhões de kwanzas por novo accionista. Por um lado, este dado mostra que as pessoas reconhecem o valor da empresa. Por outro, durante anos repetiu-se que Angola carecia de poupança interna e de investidores. A OPV da Unitel mostra que, talvez, o problema não seja a falta de dinheiro, mas a escassez de oportunidades credíveis para o aplicar. Ou, muito provavelmente a forte concentração da riqueza em mãos de uma minoria com capacidade para mobilizar recursos avultados e que sabe quando e onde investir.
O episódio também reforça a importância de uma estrutura accionista mais diversificada e profissional. Até à conclusão da privatização de 15% do capital, o Estado detinha, directa e indirectamente, a totalidade da empresa. Embora essa realidade não explique, por si só, os constrangimentos agora registados, a experiência mostra que empresas integralmente detidas pelo Estado tendem a enfrentar maiores desafios ao nível da disciplina de gestão, do escrutínio e da rapidez na tomada de decisões de investimento.








Ministério dos Recursos Minerais abre concurso público para 21 vagas de técnicos...