PERSPECTIVAS ECONÓMICAS

S&P alerta para risco de Angola falhar metas das finanças públicas

S&P alerta para risco de Angola  falhar metas das finanças públicas
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A agência de notação financeira Standard & Poor’s (S&P) considera que as finanças públicas de Angola continuam em risco de ficar aquém das metas, devido ao aumento das despesas com subsídios aos combustíveis em 2026 e às despesas elevadas previstas nas vésperas das eleições de 2027.

Numa análise intitulada “Classificação de risco 'B-/B' para Angola mantida; perspectiva estável”, a instituição confirmou os ratings B- e B para Angola e manteve a perspectiva estável, deixando a avaliação de risco do país num nível abaixo da recomendação de investimento, ou “lixo”, como é conhecido, numa altura em que o aumento das receitas do petróleo contrasta com as dificuldades de gestão das metas das finanças públicas.

“Os preços do petróleo situam-se bem acima dos previstos no orçamento de Angola para 2026; no entanto, os volumes de produção de petróleo limitados estão a restringir os benefícios dos preços mais elevados”, lê-se na nota.

A S&P diz reconhecer que o Governo está a tentar controlar a dívida para garantir poupanças que permitam continuar a honrar os compromissos financeiros internacionais, mas salienta que o país “continua a enfrentar obrigações consideráveis de serviço da dívida”.

Para a S&P, a estabilidade económica de Angola e a capacidade do Governo para honrar os pagamentos consideráveis da dívida dependem de preços do petróleo favoráveis e de a produção se manter acima de um milhão de barris por dia, já que este sector representa “cerca de 14 por cento do PIB, 92 por cento das exportações de bens e mais de 40% das receitas fiscais”.

“Angola vai ter de pagar 6,5 mil milhões de dólares este ano, que aumentam para 9,1 mil milhões de dólares no próximo ano e 11 mil milhões de dólares em 2028, mas, ainda assim, o país vai conseguir honrar os compromissos financeiros, reconhecendo as várias iniciativas de gestão financeira no primeiro semestre deste ano”, preveem os pesquisadores.

A S&P prevê que o preço do petróleo no conjunto deste ano fique nos 98 dólares por barril, o que representa um aumento de 42 por cento face aos 69 dólares do ano anterior e fica 61 por cento acima da previsão do Orçamento de Angola, que apontava para um preço médio de 61 dólares por barril.

“Embora os preços mais elevados do petróleo apoiem as receitas fiscais, também acarretam maiores despesas fiscais sob a forma de subsídios aos combustíveis”, insistem os analistas. A nível do cenário macroeconómico, a S&P prevê um crescimento médio de 3,5 por cento este ano, abrandando depois para 2,7 por cento entre 2027 e 2029.