Atrasos na MACON revoltam passageiros: transportadora responsabiliza degradação das vias
Atrasos constantes nos horários de partida dos autocarros interprovinciais da empresa MACON têm gerado forte insatisfação entre os passageiros, levando muitos a considerar a mudança para companhias concorrentes. Em declarações ao Valor Económico, diversos clientes denunciam que os atrasos se tornaram recorrentes, ultrapassando, em alguns casos, as quatro horas de espera, sem que a transportadora preste explicações detalhadas sobre os motivos das alterações.
Em resposta às queixas, a direcção da MACON justifica as falhas com o mau estado das estradas. Segundo a empresa, as vias degradadas têm causado danos frequentes nos veículos, o que exige um tempo superior para a realização das operações de manutenção preventivas e correctivas, impactando directamente o cumprimento do plano de viagens.
Por exemplo, na sexta-feira, dia 7, o autocarro que partiria da paragem da Gamek às 20 horas, com destino a Benguela, partiu apenas às 23 horas, e, no dia 12, o veículo com destino ao Bié, cuja partida estava prevista para cerca das 11 horas, consumou a viagem apenas às 14 horas.
O porta-voz da MACON, Armando Macedo, justificou os atrasos com a falta de condições das vias, que muitas vezes chegam a danificar os autocarros, forçando reparações fora do previsto e o consequente estrangulamento dos horários de partida, uma vez que a empresa nem sempre tem meios disponíveis para cobrir as falhas. “Por exemplo, do Lubango até chegar a Luanda, temos estradas com muitos constrangimentos. Às vezes, até chegar a Luanda, o autocarro, cuja manutenção seria feita em uma ou duas horas, leva mais tempo porque sofreu danos graves, e o pessoal tem de trabalhar até conseguir recuperar o carro”, argumentou.
Para reverter o quadro, Armando Macedo apela ao melhoramento das vias de forma a garantir a conservação e a longevidade das viaturas, assegurando que a empresa está a trabalhar para a aquisição de uma nova frota, dentro de dois meses, de modo a melhorar a oferta e o desempenho da companhia.
As denúncias dos passageiros da empresa fundada em 2001 surgem num contexto em que a instituição tem sido constantemente abalada devido aos acidentes em que os seus meios estiveram envolvidos, com destaque para o incidente ocorrido no dia 3 deste mês, no Cuanza Sul, que resultou em 22 vítimas mortais. Uma situação semelhante aconteceu ontem, quando um autocarro que transportava 47 passageiros, com destino Namibe-Luanda, começou a incendiar-se, forçando os passageiros a sair pelas janelas.
Em Março deste ano, na Estrada Nacional 100, oito pessoas morreram e 34 ficaram feridas na sequência de um acidente de viação ocorrido no município de Cabo Ledo, província do Icolo e Bengo, que envolveu um autocarro da mesma companhia.








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