Má percepção de risco custa 75 mil milhões de dólares por ano a África
UNECA estima que o prémio de risco encarece o financiamento dos países africanos e desvia recursos destinados à saúde, educação e infra-estruturas.
Os países africanos suportam custos adicionais de financiamento superiores a 75 mil milhões de dólares por ano devido à percepção de risco atribuída aos mercados do continente, segundo estimativas apresentadas pela secretária executiva adjunta da Comissão Económica das Nações Unidas para África (UNECA), Hanan Morsy.
Morsy falava durante o lançamento da Agência Africana de Notação de Crédito (AfCRA), nas Ilhas Maurícias, defendendo que os custos associados ao risco reduzem a capacidade dos governos de mobilizarem recursos para áreas prioritárias do desenvolvimento.
Segundo a responsável, as avaliações das agências de notação financeira influenciam as decisões dos investidores e também as opções dos governos, incluindo em momentos de crise, quando o receio de uma descida do rating pode condicionar o recurso a mecanismos de suspensão do serviço da dívida.
A AfCRA pretende ampliar a informação disponível sobre o risco de crédito dos países africanos, incorporando maior conhecimento das instituições locais, das reformas económicas e do contexto em que são implementadas. A nova entidade deverá operar de forma independente, ser autofinanciada e não poderá ser detida por governos.
A União Africana defende que a agência não deverá atribuir tratamento preferencial aos países africanos, mas assegurar avaliações mais precisas, transparentes e contextualizadas. A credibilidade da nova estrutura dependerá, segundo os promotores, da independência e de mecanismos que evitem conflitos de interesses.







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