Banco Mundial eleva previsão de crescimento da África Subsaariana para 4,3%
Revisão em 0,3 ponto percentual reflecte maior procura interna e resiliência das economias, mas região enfrenta subida da inflação, pressão da dívida e dificuldades na criação de emprego.
O Banco Mundial elevou de 4% para 4,3% a previsão de crescimento da África Subsaariana em 2026, uma revisão de 0,3 ponto percentual face à estimativa de Abril, sustentada pelo fortalecimento da procura interna, maior resiliência macroeconómica e investimentos ligados à transição energética e às tecnologias digitais.
Apesar da melhoria das perspectivas, o organismo prevê que a inflação média regional suba de 3,7% em 2025 para 5,5% em 2026, pressionada pelos preços globais dos combustíveis, fertilizantes e alimentos. A dívida pública deverá manter-se em torno de 57% do PIB, enquanto os elevados custos do serviço da dívida continuam a limitar os recursos destinados à saúde, educação e infra-estruturas.
O Banco Mundial considera, contudo, que o crescimento projectado permanece insuficiente para reduzir significativamente a pobreza extrema e criar empregos em quantidade suficiente para absorver a crescente população jovem. Segundo Andrew Dabalen, economista-chefe do organismo para África, quase três quartos dos países da região tiveram as suas previsões revistas em alta, incluindo Angola, Etiópia, Nigéria e Zâmbia.
A redução da ajuda externa, os riscos climáticos e condições de financiamento mais restritivas constituem outros factores de pressão sobre as economias africanas. O organismo alerta que um eventual episódio de El Niño poderá afectar a produção agrícola e agravar a insegurança alimentar, ao mesmo tempo que a menor disponibilidade de financiamento externo deverá obrigar os países a reforçar a mobilização de receitas internas e os mercados de capitais locais.
A Inteligência Artificial (IA) é apontada pelo Banco Mundial como uma oportunidade para aumentar a produtividade e acelerar a transformação económica, sobretudo através de soluções de baixo custo e adaptadas às condições locais nos sectores da educação, agricultura, saúde, finanças, logística e administração pública. Para aproveitar esse potencial, o organismo defende investimentos em electricidade fiável, conectividade, competências digitais, dados, infra-estruturas computacionais e instituições mais fortes, além de maior cooperação regional através da estratégia africana para a IA e da AfCFTA.







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