IX SEMINÁRIO DA OISC/CPLP

TC reúne jovens auditores da CPLP para debater o papel das instituições superiores de controlo na transformação digital

28 Oct. 2026 Valor Económico De Jure

Auditoria. Juiz conselheiro do Tribunal de Contas Manuel da Cruz Neto defende que as ferramentas de inteligência artificial nunca poderão substituir os auditores por entender que a auditoria sempre dependerá de um julgamento profissional.

TC reúne jovens auditores da CPLP para debater o papel das instituições superiores de controlo na transformação digital

O Tribunal de Contas (TC) acolhe o terceiro encontro dos jovens auditores da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), evento que decorre em Luanda, entre 27, 28 e 29 deste mês, tendo como tema de fundo o “Papel das Instituições Superiores de Controlo (ISC) na transformação Digital, Sustentabilidade e Transparência”.

O encontro que reúne os magistrados, auditores, especialistas e jovens profissionais das oito Instituições Superiores de Controlo da CPLP, é definido como um espaço de diálogo técnico e cooperação institucional, permitindo a partilha de experiências sobre a realidade da supervisão das contas públicas dos países membros.

O juiz conselheiro do Tribunal de Contas Manuel da Cruz Neto defende que as ferramentas de inteligência artificial nunca poderão substituir os auditores por entender que a auditoria sempre dependerá de um julgamento profissional e verificação que os recursos de inteligência artificial não podem fazer, mas destaca a utilidade da inteligência artificial para a verificação e sintetização dos dados num curto espaço de tempo que o homem não consegue.

Durante a palestra introdutória do evento, o magistrado reflectiu sobre a “As ISC na era da Inteligência Artificial: Oportunidades, riscos e desafios para a auditoria pública”, destacando que a informação e o conhecimento assumem um papel cada vez mais determinante na sociedade contemporânea, sendo a evolução das tecnologias de informação, particularmente da Inteligência Artificial, um factor de transformação dos processos de análise e de tomada de decisão.

Manuel da Cruz Neto entende que, apesar do papel do auditor estar focado a analisar as contas do passado, as ferramentas de inteligência artificial permitem que os tribunais de contas possam acompanhar de forma remota o desempenho das despesas públicas e travar, deste modo, a teia da corrupção.

Já o presidente do Tribunal de Contas, Sebastião Gunza, chamou a atenção para os desafios que as transformações tecnológicas e as novas exigências de sustentabilidade colocam às Instituições Superiores de Controlo, salientando a necessidade de adaptar as práticas de fiscalização à evolução dos serviços públicos e dos modelos de gestão dos recursos.

Para o Juiz, a modernização dos mecanismos de controlo deve ser acompanhada pelo reforço das competências profissionais e da cooperação entre as instituições, sem deixar de fora os princípios fundamentais que orientam a fiscalização pública, como a legalidade, integridade, transparência, responsabilidade e a defesa do interesse público.