Governo vai tornar obrigatório o uso de tacógrafos e transportadores alertam para custos
O Governo prepara-se para tornar obrigatória a instalação de tacógrafos nos transportes rodoviários, aparelhos que registam a velocidade, a distância e as horas de descanso dos condutores, uma medida acolhida favoravelmente pela Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA), que adverte, contudo, para os elevados custos de aquisição e para os desafios operacionais da sua implementação.
Em reacção à iniciativa governamental, a Associação dos Transportadores Rodoviários de Mercadorias de Angola (ATROMA) manifestou concordância com o propósito da lei, mas levantou fortes preocupações quanto aos custos de aquisição e à operacionalização da medida.
De acordo com o responsável da associação, Licínio Fernandes, a implementação exige condições prévias para que as empresas cumpram a exigência sem sofrer constrangimentos nas suas operações. “Quem vai vender? A quanto vai vender?”, questionou, alertando que a compra dos equipamentos representará “um custo extremamente elevado” para o sector.
Para conter o impacto financeiro e garantir a eficácia da fiscalização, a ATROMA defendeu a adopção de um modelo único de tacógrafo para a frota nacional de camiões, prevenindo a dispersão originada por veículos importados de diferentes proveniências. Segundo Licínio Fernandes, a uniformização facilitará a leitura dos registos e o trabalho da Polícia de Trânsito nas estradas: “Tem de haver um tacógrafo único para todos os camiões”, concluiu.
Nesse sentido, para evitar deslocações e custos adicionais, a associação proprôs a criação de uma plataforma digital que permita aos transportadores adquirir os equipamentos a partir de qualquer província, com possibilidade de levantamento nos Correios ou através de agências de entrega.
“Devia ser criado um site onde toda a gente, todos os camionistas, todos os transportadores [...] faria a compra online em qualquer ponto do país”, sugeriu Licínio Fernandes.
O responsável exemplificou que um transportador que se encontre no Moxico ou em Malanje não deveria ter de se deslocar a Luanda apenas para adquirir o dispositivo. A medida, segundo a associação, também ajudaria a prevenir eventuais conflitos durante as operações de fiscalização, sobretudo no período inicial de implementação.
Formação dos agentes e fadiga dos motoristas preocupa transportadores
A capacidade de fiscalização constitui outra preocupação levantada pela associação, que questiona se a Polícia de Trânsito já está a receber formação para interpretar os registos dos diferentes equipamentos.
“A Polícia de Trânsito já está a receber formação para a leitura desses tacógrafos?”, Questionou.
Não obstante, o presidente da associação considera que os tacógrafos podem contribuir para o controlo da velocidade e para o cumprimento dos períodos obrigatórios de descanso dos motoristas, factores que relaciona com a prevenção dos acidentes rodoviários dando exmplo de ter vivido situações em que motoristas entrevistados pela associação afirmaram ter conduzido durante toda a noite e pretendiam continuar a trabalhar durante o dia. “Ele não respeita os limites do seu próprio corpo enquanto ser humano”, afirmou.







Com recursos esgotados no MPLA, juristas vêem legitimidade em Higino Carneiro para...