ANA CRISTINA CANGOMBE, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS VITILINDOS DE ANGOLA

“Temos associados que não conseguem emprego ou que perderam o emprego por causa do vitiligo”

A presidente da Associação dos Vitilindos de Angola aponta como principais preocupações o preconceito, a falta de apoio médico e psicológico e os elevados custos associados ao tratamento do vitiligo. Defende a criação de mecanismos legais para proteger os portadores contra a discriminação no acesso ao emprego e noutras áreas da vida social.

“Temos associados que não conseguem emprego ou que perderam o emprego por causa do vitiligo”
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Estima-se que entre 1% e 2% da população mundial viva com vitiligo. Como caracteriza a situação de Angola?

Em Angola, ainda não conseguimos ter uma estimativa exacta. O país enfrenta muitos problemas, tanto do ponto de vista cultural como religioso. Temos desenvolvido este trabalho, mas ainda não dispomos de meios suficientes para viajar pelo país e fazer um levantamento. Além disso, ainda é reduzido o número de pessoas com esta condição que falam abertamente sobre o assunto e que recorrem às unidades hospitalares com as quais temos parceria ou à própria associação para se assumirem como portadores de vitiligo.

 Há alguns anos era difícil ver pessoas com esta condição no país, ao contrário do que acontece actualmente. O que está na base desta mudança?

A principal razão era a falta de informação, associada às questões culturais. Muitas pessoas preferiam esconder-se. Com o trabalho que temos desenvolvido nos últimos anos, aumentou o conhecimento sobre o vitiligo. As entrevistas, palestras e matérias publicadas têm ajudado os próprios portadores e as suas famílias a compreender melhor a condição, levando mais pessoas a assumir-se. Apesar disso, ainda existem pessoas que continuam a esconder-se.

 O vitiligo pode manifestar-se em pessoas de todas as faixas etárias, mas quais são as causas que provocam a condição?

É necessária uma predisposição genética para desenvolver o vitiligo. Sabe-se também que é uma condição autoimune e que os factores emocionais podem contribuir para o seu desencadeamento ou agravamento.

 

 

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