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Cristina Lourenço reconhece que peso da dívida pública inibe mercado accionista

O sector da dívida pública continua a predominar de forma esmagadora no mercado de capitais angolano, constituindo um dos maiores desafios para a diversificação do financiamento empresarial no país. A constatação foi feita pela Presidente da Comissão Executiva (PCE) da Bolsa de Valores e Dívida de Angola (BODIVA), Cristina Lourenço, que defende um envolvimento mais activo de várias instituições financeiras para superar este cenário.

Cristina Lourenço reconhece que peso da dívida pública inibe mercado accionista
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Apesar de a BODIVA ter registado, até Setembro do corrente ano, aproximadamente 7,8 biliões de kwanzas transaccionados em mais de 47 mil operações, números que demonstram o peso crescente da instituição no desenvolvimento económico do país, a transacção de títulos públicos absorve a quase totalidade do volume de negócios. 
Em resultado dessa concentração, a capitalização bolsista do mercado accionista fixou-se em escassos 4,51% do Produto Interno Bruto (PIB), uma meta que se revela bastante distante do objectivo fixado de 17,5%. 
As declarações da responsável foram proferidas durante a sua intervenção na conferência da BFA Capital Markets, realizada em Luanda sob o tema "Angola 2030: Investimento, Inovação e Crescimento". 
Cristina Lourenço instou ainda as empresas a explorarem os mecanismos de financiamento disponíveis no mercado, com a intenção de aumentar a capacidade produtiva das instituições ligadas à agricultura que procurem expandir a sua actividade, bem como das empresas tecnológicas que necessitem de capital para desenvolver novas soluções. 
A responsável destacou igualmente a emissão de obrigações, a abertura de capital a investidores e o desenvolvimento de veículos de investimento colectivo como alternativas capazes de contribuir para essas ambições. 
O evento é, no seu ponto de vista, um ambiente propício a uma reflexão particularmente relevante, num momento em que o país procura consolidar as bases de um modelo de crescimento económico menos dependente de um número restrito de sectores e cada vez mais assente na iniciativa privada, na produção nacional, na inovação e na criação de emprego. 
Por outro lado, disse acreditar que o crédito bancário continuará a desempenhar um papel indispensável no financiamento das famílias e das empresas. Contudo, reconhece que as necessidades de investimento de médio e longo prazo, particularmente em sectores intensivos em capital, exigem a procura por soluções diversificadas com diferentes maturidades, diferentes estruturas de risco e diferentes condições de financiamento.