SANÇÕES ECONÓMICAS

África do Sul prepara-se para perder benefícios comerciais dos EUA

20 Oct. 2026 Valor Económico Mundo

 

Ramaphosa admite impacto “devastador” sobre o emprego caso o país seja excluído da AGOA, iniciativa que garante acesso isento de tarifas ao mercado norte-americano, e intensifica a procura de mercados alternativos.

África do Sul prepara-se para perder benefícios comerciais dos EUA
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O Presidente sul-africano, Cyril Ramaphosa, anunciou, na segunda-feira, que o Governo está a preparar-se para uma possível exclusão da África do Sul da Lei de Crescimento e Oportunidades para África (AGOA), iniciativa dos Estados Unidos que garante acesso preferencial ao mercado norte-americano, alertando para um impacto “devastador” sobre o emprego, num contexto de deterioração das relações entre Pretória e Washington.

 “Como presidente, preciso nos preparar para o caso de isso acontecer”, declarou Ramaphosa, alertando que o impacto sobre o emprego seria “devastador”.

Segundo a Reutrs, o  chefe de Estado revelou que, em paralelo com as negociações com as autoridades norte-americanas, o Governo está a intensificar os esforços para encontrar mercados alternativos para os produtos sul-africanos.

A AGOA permite a exportação de milhares de produtos africanos para os Estados Unidos sem o pagamento de determinadas tarifas aduaneiras, proporcionando aos países beneficiários condições de acesso mais favoráveis ao mercado norte-americano, e a eventual perda dos benefícios da AGOA representaria, assim, um desafio para a estratégia comercial sul-africana, num momento em que o Governo procura preservar o emprego, manter a competitividade das empresas exportadoras e ampliar o acesso a mercados internacionais.

A incerteza surge numa altura em que as relações entre os dois países se encontram sob pressão. A Administração do Presidente norte-americano, Donald Trump, adoptou medidas contra a África do Sul e tem manifestado posições críticas em relação às políticas do Governo sul-africano, sob justificativa das suas preocupações com alegações de perseguição à população branca, acusações que Pretória rejeita, considerando-as falsas e promovidas por grupos extremistas.

Entretanto, perante o risco, Pretória procura diversificar os destinos das exportações e reduzir a dependência do mercado norte-americano. Ramaphosa apontou o acordo comercial com a China como um dos avanços neste sentido. Desde Maio, Pequim aplica um regime de tarifa zero a produtos sul-africanos elegíveis, criando uma alternativa para parte das exportações do país.