Distúrbios em França fazem cair acções e elevam custo da dívida pública
O índice CAC 40 recuou 1,3% no início da sessão de segunda-feira, enquanto a rendibilidade das obrigações francesas a dez anos subiu para 4,86%, num contexto de incerteza política, fraco crescimento económico e pressão sobre as contas públicas.
A intensificação dos protestos e dos episódios de violência em França penalizou os mercados financeiros, esta segunda-feira, com as acções francesas a registarem perdas entre as principais bolsas europeias e os investidores a exigirem maior rendibilidade para financiar a dívida pública do país.
O índice CAC 40, que reúne as principais empresas cotadas na bolsa de Paris, caiu 1,3% no início da sessão colocando as acções francesas entre as de pior desempenho nos mercados europeus.
A tendência negativa também atingiu o mercado obrigacionista. A queda dos preços dos títulos da dívida pública francesa levou a rendibilidade das obrigações a dez anos a subir oito pontos base, para 4,86%, uma evolução que significa que os investidores passaram a exigir um retorno superior para manter a exposição à dívida francesa, sinalizando uma percepção acrescida de risco.
A reacção dos mercados não reflecte apenas os danos materiais provocados pelos distúrbios, mas também o risco de agravamento da crise política num momento decisivo para as finanças públicas francesas. O Governo precisa de aprovar um orçamento considerado essencial para conter o défice e controlar o crescimento da dívida, num ambiente de fraco crescimento económico, e para os investidores, a combinação entre instabilidade política, endividamento elevado e perspectivas económicas frágeis pode traduzir-se em maior volatilidade nos mercados e em custos de financiamento mais altos para o Estado.
«A modesta recuperação dos diferenciais da dívida francesa na última semana será agora posta à prova», afirmou Jim Reid, analista do Deutsche Bank, numa nota citada pela Reuters.
Custo de vida agrava tensão social
Na França, os protextos ocorrem após semanas de manifestações estudantis e reflectem o descontentamento com o aumento do custo de vida e a deterioração dos serviços públicos. A pressão sobre os preços dos combustíveis, associada em grande parte à guerra com o Irão, tem agravado as dificuldades de muitas famílias.
Questões semelhantes estiveram na origem de manifestações noutros países europeus, incluindo Itália, Bélgica e Albânia, durante o fim-de-semana.
Em paralelo, Macron iniciou uma deslocação ao Kuwait, no Golfo, com o objectivo de assegurar fornecimentos adicionais de gasolina e gasóleo e contribuir para reduzir os preços nos postos de abastecimento.







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