TOUNKARA SAIDOU, PRESIDENTE DA ASSOCIAÇÃO DOS SUCATEIROS UNIDOS DE ANGOLA (ASUA)

“Há estrangeiros a viver em Angola há 20 anos, mas sem documentos”

Proveniente da Guiné-Conacri, onde nasceu, Tounkara Saidou é neto do primeiro Presidente da Guiné-Conacri, Ahmed Sékou Touré e vive em Angola desde 2005. À frente da Associação dos Sucateiros Unidos de Angola (ASUA), o empresário defende a reabertura organizada das sucateiras legalizadas e a criação de um centro único de compra e venda de metais ferrosos e não ferrosos, para reforçar o controlo da actividade e combater a vandalização de bens públicos. Ahmed Sékou manifesta ainda preocupação com as dificuldades enfrentadas por cidadãos da África Ocidental na regularização da situação migratória, atribuindo parte dos constrangimentos ao SME.

“Há estrangeiros a viver em Angola há 20 anos, mas sem documentos”
Mário Mujetes

Quase 10 meses após a entrada em vigor do Decreto Executivo n.º 7/26, que suspendeu a actividade das sucateiras, qual é a situação actual desta actividade?

Apoiámos a medida de suspensão, devido à vandalização de bens públicos e à desorganização que se verificava no sector. Fomos, inclusive, a primeira associação do país a organizar uma marcha contra a vandalização, com o apoio do Governo e da Polícia Nacional, numa altura em que era frequente vermos notícias sobre a destruição de bens públicos.

 De que forma a suspensão afectou a actividade?

Os operadores estão frustrados. Trata-se de um negócio e, com a actividade parada e uma grande quantidade de materiais em stock, a situação tornou-se difícil. Muitos empregos directos e indirectos foram perdidos, incluindo os de pessoas idosas que recolhem esses materiais para conseguirem algum sustento.

 Já mantiveram contactos com o Governo para permitir, pelo menos, a reabertura das sucateiras legalizadas?

Há cerca de três meses, tivemos uma audiência com o Governo Provincial de Luanda, na qual solicitámos autorização para que os operadores com materiais em stock nos estaleiros pudessem vendê-los e retirar os materiais dos recintos. A maior parte desses espaços é arrendada. Mesmo sem facturação, os operadores continuam obrigados a pagar rendas, suportar outras despesas correntes e sustentar as respectivas famílias.