Transporte público de Cuba cai para mínimo histórico com bloqueio de combustível dos EUA
Ministro Eduardo Rodríguez Dávila admite colapso de 75% nas viagens e redução de 419 para 11 carreiras diárias entre Havana e as províncias
O sistema de transporte público de Cuba atingiu o nível mais baixo de sempre, na sequência da proibição de facto imposta pelos Estados Unidos à importação de combustíveis no final de Janeiro. O alerta foi lançado pelo ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez Dávila, que descreveu a tarefa diária de mover milhões de pessoas numa ilha com 1.250 quilómetros de extensão como uma "missão impossível".
Em entrevista exclusiva à Reuters, em Havana, o ministro - engenheiro mecânico de formação - reconheceu que o sector vive um dos seus piores momentos. O executivo estima que o número total de viagens de passageiros no transporte público recue 75% este ano face a 2025, reflectindo o impacto directo da escassez de combustível sobre a maior ilha das Caraíbas.
Os dados avançados ilustram a dimensão da quebra. O serviço de autocarros interprovinciais com partida de Havana passou de 419 ligações diárias em 2025 para apenas 11 este ano. A nível nacional, as linhas activas caíram de mais de 100 para 21. O segmento interurbano, crucial para a deslocação diária dos trabalhadores, deverá registar uma contracção de 90%.
Segundo Rodríguez Dávila, a deterioração acelerou após o endurecimento das medidas norte-americanas contra o Governo comunista cubano. Sem capacidade para garantir importações regulares, o país enfrenta um colapso sem precedentes nos transportes aéreo, ferroviário e rodoviário, com efeitos em cadeia sobre a mobilidade, a economia e a actividade laboral.







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