CRISE NO SECTOR DOS TRANSPORTES CUBANO

Transporte público de Cuba cai para mínimo histórico com bloqueio de combustível dos EUA

22 Oct. 2026 Valor Económico Mundo

Ministro Eduardo Rodríguez Dávila admite colapso de 75% nas viagens e redução de 419 para 11 carreiras diárias entre Havana e as províncias

Transporte público de Cuba cai para mínimo histórico com bloqueio de combustível dos EUA
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O sistema de transporte público de Cuba atingiu o nível mais baixo de sempre, na sequência da proibição de facto imposta pelos Estados Unidos à importação de combustíveis no final de Janeiro. O alerta foi lançado pelo ministro dos Transportes, Eduardo Rodríguez Dávila, que descreveu a tarefa diária de mover milhões de pessoas numa ilha com 1.250 quilómetros de extensão como uma "missão impossível".

Em entrevista exclusiva à Reuters, em Havana, o ministro - engenheiro mecânico de formação - reconheceu que o sector vive um dos seus piores momentos. O executivo estima que o número total de viagens de passageiros no transporte público recue 75% este ano face a 2025, reflectindo o impacto directo da escassez de combustível sobre a maior ilha das Caraíbas.

Os dados avançados ilustram a dimensão da quebra. O serviço de autocarros interprovinciais com partida de Havana passou de 419 ligações diárias em 2025 para apenas 11 este ano. A nível nacional, as linhas activas caíram de mais de 100 para 21. O segmento interurbano, crucial para a deslocação diária dos trabalhadores, deverá registar uma contracção de 90%.

Segundo Rodríguez Dávila, a deterioração acelerou após o endurecimento das medidas norte-americanas contra o Governo comunista cubano. Sem capacidade para garantir importações regulares, o país enfrenta um colapso sem precedentes nos transportes aéreo, ferroviário e rodoviário, com efeitos em cadeia sobre a mobilidade, a economia e a actividade laboral.