MERCADOS FINANCEIROS INTERNACIONAIS

Nasdaq regista pior queda em 19 meses e perde mais de dois biliões de dólares

06 Nov. 2026 Valor Económico Mundo

Índice tecnológico norte-americano recuou 5,5%, pressionado pelos receios de maior regulamentação da inteligência artificial e de restrições à construção de centros de dados.

Nasdaq regista pior queda em 19 meses e perde mais de dois biliões de dólares
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O índice Nasdaq Composite, um dos principais indicadores do mercado bolsista norte-americano, registou, na quinta-feira, a maior queda diária dos últimos 19 meses, ao recuar 5,5%, num movimento que eliminou mais de dois biliões de dólares em valor de mercado e reflectiu as preocupações dos investidores com o futuro da indústria da inteligência artificial (IA).

Segundo dados do The Guardian, a queda colocou o índice em território de correcção, ou seja, mais de 10% abaixo do seu máximo histórico recente. O desempenho representou a maior desvalorização diária desde Abril de 2025, quando o Presidente norte-americano, Donald Trump, anunciou tarifas comerciais sobre os parceiros dos Estados Unidos, no âmbito da política denominada «Dia da Libertação».

A pressão sobre as acções tecnológicas esteve associada à expectativa de que os resultados das eleições de meio de mandato nos Estados Unidos possam favorecer uma regulamentação mais rigorosa do sector da inteligência artificial, particularmente no que respeita à expansão dos centros de dados. A vitória dos democratas em várias eleições para governador e a rejeição de projectos de centros de dados em consultas locais reforçaram essas preocupações.

As empresas fabricantes de semicondutores estiveram entre as mais penalizadas. A SanDisk registou uma queda de 22%, enquanto a Western Digital recuou 17%. A Nvidia, fabricante de processadores utilizados no desenvolvimento de sistemas de IA, perdeu 9,2%, liderando as desvalorizações entre as empresas do índice Dow Jones Industrial Average (DJIA).

A turbulência reflectiu-se igualmente no índice VIX, conhecido como «índice do medo» de Wall Street, que avançou 61%, atingindo os níveis mais elevados desde as primeiras semanas do conflito com o Irão.

Na Ásia, as perdas prolongaram-se na sexta-feira, com o índice Nikkei 225, do Japão, a recuar 6%, enquanto o Kospi, da Coreia do Sul, registou uma queda superior a 8% no início da sessão.

Na Europa, a recuperação inicial das bolsas perdeu força ao longo da sessão. O índice britânico FTSE 100 encerrou em baixa de 0,4%, equivalente a 46 pontos, fixando-se nos 10.782,66 pontos.

A desvalorização acentuada sucedeu à recuperação registada na quarta-feira, quando as acções norte-americanas alcançaram o maior ganho diário em vários meses, impulsionadas pelas expectativas de que o desempenho eleitoral dos democratas pudesse limitar a margem de actuação da Casa Branca.

Entretanto, Donald Trump voltou a destacar os máximos históricos alcançados pelo mercado bolsista durante o seu segundo mandato. Numa publicação na rede social Truth Social, o Presidente afirmou que o mercado tinha atingido mais um recorde e que os planos de reforma dos norte-americanos estavam a beneficiar desse desempenho.